11 de julho de 2026
Nacional

Mulher faz mais sacrifício para ascender na carreira

Por Marianna Aragão | Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

São Paulo - Apesar de estarem aumentado sua presença em cargos de comando em empresas no Brasil nos últimos anos, as mulheres ainda pagam um preço alto para ascender ao topo das corporações.

O desafio de conciliar carreira e vida pessoal se reflete em um percentual maior de executivas separadas, sem filhos e com pouco tempo para hobbies, em comparação com o universo masculino, segundo estudo recente da consultora e pesquisadora da PUC-Minas Betania Tanure.

De acordo com a pesquisa, o percentual de mulheres em cargos de presidência, diretoria ou gerência que não têm filhos é de 40% - o de homens, 19%. A proporção de executivas com apenas um herdeiro (44%) também é maior que entre seus pares masculinos (29%).

Já a quantidade de executivas separadas ou solteiras nos altos escalões é de 35%, sendo que a carreira foi o principal motivo para a separação (64%). O percentual de executivos separados ou solteiros é de 14%. “Mesmo ascendendo na carreira, elas não querem abrir mão dos papéis que lhe são atribuídos, como cuidar da casa, da família e do relacionamento. E isso é extremamente custoso”, diz Betania.

A dificuldade de chegar ao balanço ideal entre essas missões é revelada por outro indicador: 74,7% das mulheres estão insatisfeitas com a distribuição do seu tempo. Só 18% conseguem se dedicar a atividades de lazer, ante 82% dos homens.

Paradoxalmente, a maioria das profissionais que alcançaram o topo não abandonaria a carreira para se dedicar à família. “Elas se sentem apaixonadas pelo que fazem, apesar da “culpa”, diz Betania.

Hoje, as mulheres representam 5% do total de executivos na presidência de empresas no Brasil, ante 1% dez anos atrás. Na diretoria, já são 19% do total, ante 10% há uma década.


Nova agenda

Diretora em um grupo de mídia digital, a executiva Luciana Ribeiro, 35 anos, diz que adiou a maternidade para se dedicar à profissão.

Com 28 anos, a advogada tornou-se diretora jurídica e, após um MBA no Exterior, migrou da área técnica para a de negócios da empresa, o que exigiu mudar de cidade. “Tive muitas promoções quando jovem, o que me fez priorizar esse aspecto. Mas ainda pretendo ter filhos.”

A executiva Juliana Azevedo, 37 anos, diretora de marketing de uma multinacional de bens de consumo, conta que aprendeu a “repensar” sua agenda a partir do nascimento de Rafael, 3 anos. “Comecei a criar espaços no meio do dia para ficar com ele e a levá-lo a viagens de trabalho. Mas continuo trabalhando muito, inclusive em finais de semana”, diz.

Participaram do estudo 965 executivos, sendo 222 mulheres, no início deste ano.