Considerada uma das mais benéficas obras de infraestrutura em Bauru, o prolongamento da avenida José Vicente Aiello está trazendo prejuízos a alguns proprietários de chácaras localizadas à beira da via. O projeto não prevê implantação de sistema de drenagem. Dessa forma, as águas pluviais estão “canalizadas” para dentro das propriedades.
Nilson Zandona está indignado e já viu os primeiros problemas se concretizarem com as chuvas dos últimos dias. “A água vem lá de cima e cai toda aqui. Formou uma poça enorme, uma verdadeira lagoa. O fato é que a gente dá como certo um processo erosivo por aqui se nada for feito”.
Por conta disso, o proprietário já decidiu levar para a Justiça. Uma ação contra o DER devem ser protocolizadas por ele nessa segunda-feira.
Nilson afirma que também está insatisfeito com a falta de comunicação entre os executores da obra e os moradores da região.
Ele diz que a Prefeitura de Bauru enviou comunicado informando que todos os danos causados por suas intervenções (o município tem contrapartidas na obra) seriam ressarcidos. “Sequer avisaram que a cerca seria derrubada. Fui pego de surpresa. A preocupação é muito grande porque tenho seis cachorros”, relata.
Resposta
O DER confirma que o projeto de execução das obras não prevê sistema de drenagem e que vai realizar orçamento do serviço para tomar as “medidas cabíveis”, tal como de qual instância será a responsabilidade da intervenção.
O órgão diz ainda que a vicinal é de administração e manutenção municipal e que os serviços realizados pelo DER foram possibilitados por conta de um convênio firmado entre a prefeitura e o Estado.
O que é
A obra envolve a pavimentação e sinalização da avenida do trecho compreendido entre o Cemitério do Ypê e a rodovia João Baptista Cabral Rennó (SP-225), a Bauru-Ipaussu, na altura do condomínio Lago Sul. A extensão da obra é de 3,2 quilômetros.
A responsável pela execução é a empresa CGS Engenharia, que venceu processo licitatório. Em nota enviada pela assessoria de comunicação do DER, o órgão informa que o custo total é de R$ 2,7 milhões e que o prazo para conclusão é abril do ano que vem.
Os postes
A ausência do sistema de drenagem não é o único problema que enfrenta o prolongamento da avenida José Vicente Aiello.
Como mostrou o Jornal da Cidade na última quarta-feira, a Prefeitura de Bauru e a CPFL Paulista não chegaram a um consenso sobre o valor da transposição dos postes de energia na via.
A concessionária cobra também a remoção dos fios de telefonia e TV a cabo, mas o município se recusa a pagar por este serviço. A diferença no montante é de R$ 42 mil.