08 de julho de 2026
Geral

Heinz: como fazer da vida um voo

João Pedro Feza
| Tempo de leitura: 2 min

Os passos são firmes. A visão, falha. O sorriso, intacto. A memória, pródiga. Quem vê Karl Heinrich Heinz pela primeira vez enxerga uma pessoa saudável aos 88 anos, ainda que com algumas limitações típicas da idade. O que não imagina é que esse mesmo senhor recentemente homenageado no Aeroclube de Bauru foi, quando bem jovem, piloto de instrução da Alemanha em plena Segunda Guerra Mundial. 

“A gente não tinha noção de nada do que havia politicamente. Minha vida era a janelinha do avião. Era voar dia e noite, e só”, resume, com sotaque e simplicidade.

Karl se refere, claro, ao ditador Adolf Hitler - e sua expansão territorial que resultou em desconcertante tragédia humana.

Na condição de piloto de instrução, Karl tinha a tarefa de testar aeronaves que, depois, receberiam bombas. Era isso o que fazia já aos 18 anos: voar sem saber ao certo para quem – e em nome do quê.

“A gente fazia o trabalho para o qual era designado. Não havia muita conscientização sobre o que, de fato, viria a ocorrer ou decorrer daquilo”.

Ele toca a ponta de um indicador no outro para fazer as contas: foram dois anos e meio na Força Aérea Alemã - apenas uma amostra de suas sete décadas de atividade numa cabine de aeronave, inclusive como piloto de planador. “Tive quatro deles. Uma maravilha”.


Familiar

Karl saiu de uma turbulenta Alemanha e viveu um tempo nos Estados Unidos antes de aterrissar em um Brasil promissor. Aqui, onde diz ter sido recebido de braços abertos, construiu praticamente outra vida a partir da década de 40 - sempre com atividades ligadas à pilotagem e à instrução de planador, além de ter se tornado empresário do ramo gráfico.

Viúvo, teve três filhos -um é engenheiro no Canadá, uma é médica em São Paulo e outra é empresária, também na Capital. Atualmente, vive em Jundiaí e, vez ou outra, visita amigos em outras cidades, como Bauru - onde voar também virou um livre gesto de amizade.


‘Ele? Fantástico’

O bauruense Célio Roberto de Freitas é delegado de polícia em Cajamar, na Grande São Paulo - e apaixonado por voo a vela. Conhece Karl Heinrich Heinz há 13 anos. “Ele? É fantástico em termos de habilidade”, testemunha.

“Nunca deixou de voar. Voa até hoje”. Freitas lembra que o simpático e sincero alemão já ganhou várias competições, inclusive de superação de altitude. “Foi campeão, inclusive, em competições em Bauru.”