08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Indignação e Direitos Humanos


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Gostaria de registrar nessa importante tribuna, minha indignação diante dos fatos que ocorreram hoje, 05/12/2012, com minha mãe. Hoje, essa senhora de 74 anos, da qual tenho a honra e o orgulho de chamar de mãe, dirigiu-se a uma agência do banco HSBC, onde já é cliente, para ali sacar seu humilde salário de pensão por morte do meu pai. Essa senhora de quem falo, apesar de seu pouco estudo, foi funcionária pública da Prefeitura Municipal de Bauru, onde trabalhou como merendeira escolar por mais de quinze anos, quando se aposentou compulsoriamente por idade aos setenta anos.

Apesar de sua idade e dos muitos pinos e placas que tem pelo corpo devido às quedas ocasionadas pela osteoporose, faz questão absoluta de resolver ela mesma todos os seus assuntos e negócios pessoais. Ela dirige, faz compras, reforma a casa, vai a bancos e supermercados, vai à igreja, vai a médicos, enfim, faz tudo o que pode para não depender de ninguém, para sentir-se viva e útil.

E hoje, por muito pouco, meus irmãos e eu não ficamos órfãos de mãe. Ela foi ao citado banco, retirou da bolsa as chaves e o porta moedas, e, mesmo assim, a porta de segurança apitou e travou. Vasculhou a bolsa novamente e não encontrando mais nenhum objeto metálico, informou ao segurança que tinha pinos e placas pelo corpo e talvez fosse por esse motivo que a porta estava apitando e travando.

No auge de sua simplicidade, sugeriu inclusive que o segurança revistasse sua bolsa ou ficasse com ela até que ela atravessasse a porta e nem assim foi permitido sua entrada. Como se não bastasse o constrangimento, o segurança ainda disse que ela deveria carregar consigo um documento médico dizendo que ela tinha placas e pinos pelo corpo, para que pudesse entrar na tal agência.

Minha mãe, já nervosa, pediu então que o segurança chamasse o gerente, que apareceu após muita insistência e, diante de sua reclamação, o mesmo apenas afirmou que o segurança estava cumprindo as normas do banco e só então permitiu sua entrada para sacar seus parcos recursos provindos da pensão.

Ao chegar em casa, muito nervosa, desmaiou por duas vezes e teve que ser conduzida a um pronto-atendimento. Podia ter se quebrado novamente ou ainda pior.

Essa mulher, cidadã honesta e trabalhadora, que ensinou aos filhos valores e princípios dos quais muito me orgulho, teve nessa humilhação, aviltados seus mais profundos direitos como ser humano e como idosa protegida em lei pelo Estatuto do idoso.

Quando assisto na TV a comissão de direitos humanos brigando pelos direitos humanos de criminosos, questiono-me se estou mesmo no planeta certo... se esse mundo ainda tem jeito. Quem vai brigar pelos direitos humanos de cidadãos de bem como minha mãe?

E nós, seres humanos, estamos respeitando os direitos do nosso próximo, para que também sejamos respeitados? Que educação os pais estão dando às atuais gerações? Isso me leva a considerar que está faltando a educação que começa no berço. Que pais e mães, hoje, não estão ensinando a seus filhos, os valores e princípios morais que os tornarão pessoas de bem, cidadãos respeitadores das leis e dos direitos do próximo.

E o exemplo que se está dando? Como estão esses pais dando exemplo aos filhos?

Não me conformo quando vejo as pessoas dando aquele famoso "jeitinho brasileiro" de resolver seus interesses pessoais. Quando se obtém favores para alguns em detrimento de outros, dá-se um exemplo de que pra tudo tem jeito, desde que você tenha dinheiro ou conheça as pessoas certas. Que tipo de cidadãos estamos formando com essa forma de agir? Cidadãos que não respeitam as leis, que não respeitam as autoridades, que maltratam os animais, que afrontam professores, que não são capazes de uma gentileza, que não conhecem o verdadeiro significado da palavra "ser humano".

Esse desabafo é apenas para chamar as pessoas à reflexão. Precisamos pensar em como estamos educando as atuais gerações, que exemplos estamos dando aos filhos, irmãos, sobrinhos, pessoas que cruzam os nossos caminhos.

Silvia Rosane Betti Neves