10 de julho de 2026
Política

Governo fará reunião da ?roupa suja?

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 2 min

O primeiro escalão do governo Rodrigo Agostinho (PMDB) ainda não tem agenda oficial da esperada reunião final de mandato, onde todos os secretários serão convidados a discutir erros e acertos. Na semana passada, o próprio Agostinho disse que o tom do encontro será o de “lavar roupa suja” para iniciar o novo ano e mandato com a diretriz refeita.

Como até ontem à noite nem mesmo os secretários sabiam se o encontro seria hoje, amanhã ou até na sexta-feira, a espera alimentou expectativas. Além da lista informando quem fica e quem sai, entre os secretários e assessores já há uma espécie de prévia de troca de dados sobre a linha a ser adotada para o próximo mandato.

Na manhã de ontem, em uma reunião com moradores, um dos integrantes do primeiro escalão não titubeou em dizer que “um dos ajustes a serem feitos é o prefeito não ser centralizador, querer resolver tudo sozinho ou não ter um time pronto para dividir a discussão e resolução dos problemas de maior potencial de causa e efeito”.

Dentro do governo, é apontado como erro a ser ajustado logo no início do novo mandato a mania de Rodrigo de querer “decidir tudo por sua cabeça”. O problema é que quando surge uma crise, o chefe do Poder Executivo não faz a menor cerimônia em “fritar” seu colaborador. Ainda ecoa na cabeça de assessores a forma com quem Agostinho expôs colaboradores como Majô Jandreice (Educação), Luiz Pegoraro (Jurídico) e, recentemente, quando desautorizou decisão do titular da Seplan, Rodrigo Said, em  que ele mesmo, prefeito, tinha dado respaldo. Foi o caso da aprovação do residencial Alphaville em área de indústria e comércio.

Outra crítica é que Rodrigo não gosta de discutir ajustes na máquina. “Ele não tem um time coeso, ao lado dele, para fazer frente a pressões que o cercam em razão do jogo de interesses a que todo prefeito fica exposto. Isso o enfraquece diante de várias situações”, comenta um interlocutor muito próximo do Gabinete principal no Palácio das Cerejeiras.

Mas o prefeito, de seu lado, também espera da reunião o apontamento de falhas de alguns dos seus secretários. Ele disse ao JC que alguns dos 14 atuais integrantes do primeiro escalão, entre os que serão convidados a permanecer em suas funções, vão precisar de “ajustes”. “Tem secretário acomodado e a própria rotina da máquina acaba o levando a achar cque está tudo bem e não é assim. Vou exigir que o secretário apresente propostas, ideias novas”, conta. De outro lado, Agostinho diz: “E tem gente que acha que está tudo bem e não está, não enxerga o problema”.