08 de julho de 2026
Internacional

Saques se espalham pela Argentina

Reuters
| Tempo de leitura: 2 min

Buenos Aires - Os enfrentamentos entre polícia e saqueadores chegaram ontem à Grande Buenos Aires, após provocar duas mortes em Rosário, uma das três cidades mais importantes do país.

Os distúrbios começaram anteontem pela manhã, em Bariloche, quando um grupo de encapuzados saqueou seis supermercados e enfrentou a gendarmeria (polícia federal), enviada pela presidente Cristina Kirchner a pedido do governador da província de Río Negro.

Seguiram-se distúrbios nas cidades de Campana, Resistencia, Rosário e San Fernando, onde a polícia e os saqueadores se enfrentaram com pedras, pedaços de madeira e balas de borracha.

Os saqueadores roubaram alimentos, eletrodomésticos e também roupas.

Os mortos em Rosário são uma mulher de 40 anos, que tentou entrar num supermercado chinês e levou um tiro na cabeça, e um jovem de 23 anos, vítima de um ferimento a bala no peito. Há mais de 300 pessoas presas devido aos conflitos.

O chefe de gabinete kirchnerista, Juan Manuel Abal Medina, acusou os líderes sindicais de causarem o levante e de quererem “quebrar este grande momento que está vivendo a Argentina”.

Já o governador da província de Buenos Aires, Daniel Scioli, disse que os ataques eram ações criminosas graves. “Entendemos o protesto, entendemos as reclamações e apoiamos desde que se façam pelos canais correspondentes, atuar com a cara coberta e com paus e pedras é vandalismo.”

E acrescentou que “não é a fome que motiva a que se roubem telas de plasma”.

Para o analista político Marcos Novaro, o governo nacional não tem sabido lidar com o problema da pobreza no país. “Enquanto estão preocupados em levar adiante a batalha ideológica contra o Clarín e as grandes corporações, os verdadeiros dramas nacionais não recebem atenção”, disse.

Novaro, porém, é cauteloso ao fazer paralelos entre a situação atual e as crises que levaram a saques nos anos 80, durante a hiperinflação da gestão Raúl Alfonsín, ou aos de 2001, que culminaria com o fim do governo Fernando De la Rúa.

“Elas começaram de forma parecida. Mas seria exagero colocar no mesmo nível agora. Não há o contexto de instabilidade política e econômica que havia nessas ocasiões”, diz Novaro.

Martín Yebra, editor de política do jornal “La Nación”, concorda. “O quadro geral não é o mesmo, mas não deixa de ser preocupante, pois há uma insatisfação crescente em muitos setores e em diversas regiões do país.”