10 de julho de 2026
Nacional

Muro que desabou em Sorocaba não tinha fiscalização preventiva

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Sorocaba - As obras para a construção de um shopping em uma antiga fábrica de tecidos em Sorocaba (249 Km de Bauru), onde um muro caiu na noite de anteontem, matando sete pessoas, não tinham fiscalização preventiva. A Defesa Civil da cidade apenas realiza fiscalização em obras quando há denúncias de irregularidade ou após um acidente.

Durante um temporal, parte da estrutura caiu em cima de quatro veículos que aguardavam o semáforo. Sete pessoas morreram, entre elas, uma criança de 5 anos. Duas pessoas ficaram feridas e não correm risco de morte. Um jovem de 24 anos teve um corte no pé e já foi liberado. Outro ferido, Anderson Schendroski Assunção, foi levado ao Hospital Regional e passa bem.

Segundo o coordenador da defesa civil, Roberto Montgomery, apesar de o vento ser forte na noite de anteontem, não era capaz de, sozinho, causar a queda do muro. “Qualquer hipótese é prematura, mas com certeza foi uma conjunção de fatores”, disse.

Ele não descarta que a obra tivesse alguma irregularidade e afirmou que em casos de paredes com esta altura é obrigatório ter uma estrutura de escoramento, especialmente depois que o teto foi retirado.

Questionado se uma fiscalização preventiva poderia ter apontado eventual irregularidade antes do acidente, Montgomery disse apenas que a prefeitura aprova o projeto com uma série de critérios técnicos e exigências, mas se eles serão seguidos ou não, “é uma responsabilidade de quem faz a construção”.

Segundo o coordenador, a administração pode, no máximo, checar se as construtoras têm autorização para fazer o que fazem, mas só há vistorias em casos de denúncias de irregularidades ou quando ocorrem acidentes. “Se tivessem seguido todas as exigências da prefeitura, com certeza isso não aconteceria.”

“Vários eventos da cidade já foram feitos neste local e nessas avaliações da estrutura nunca houve nenhum problema identificado. É possível que com a obra pode ter acontecido algo que deveria ter sido evitado”, disse. “Mas o mais importante agora é evitar uma nova tragédia, e é para isso que estamos trabalhando.”

A principal preocupação da defesa civil agora é com outro lado do muro, que faz divisa com o maior terminal de ônibus da cidade. Na manhã de ontem, técnicos e engenheiros fazem uma vistoria na área.

A construção está interditada por tempo indeterminado, até que seja concluída uma perícia no local para analisar as condições da estrutura.


Cenário de guerra

Comerciantes de Sorocaba acabavam de fechar lojas em frente às obras do shopping Pátio Cianê quando uma parte da parede desabou, por volta das 19h20 de anteontem. “Veio tudo abaixo. Quem estava mais perto não teve tempo de escapar. Parecia um cenário de guerra”, diz Vera Lúcia Nunes, dona de um salão de beleza que fica em frente ao local do acidente.

Ela diz que, após a queda, motoristas que estavam presos no congestionamento saíram andando pela rua sem rumo. Mães e crianças pediram abrigo em seu salão.