09 de julho de 2026
Articulistas

Os Natais de todos nós

José Fernando da Silva Lopes
| Tempo de leitura: 3 min

Diante da inevitabilidade da morte, o nascimento constitui alegria de confirmação da vida, evento e momento essencial para preservação da descendência e da própria espécie humana. Bem por isso todo nascimento é importante, merece ser lembrado e comemorado e alguns nascimentos acabam sendo ainda muito mais importantes quando os recém-nascidos ao longo de suas existências produzem ações afirmativas de beneficio coletivo que significaram ? e significam - marcas diferenciais da trajetória humana sobre nosso planeta. Assim são dentre milhares de outros também importantes ? por critério arbitrariamente pessoal - Aristóteles, Marco Túlio Cícero, Galileu Galilei, Santo Tomaz de Aquino, Pedro Álvares Cabral, Leonardo da Vinci, Mozart, Ghandi, Einstein, Sabin e alguns, também dentre milhares de outros, dos especialmente nossos como D. Pedro I, Machado de Assis, Castro Alves, Rui Barbosa, Oswaldo Cruz, Santos Dumont, Irineu Evangelista de Souza, Getúlio Vargas, Juscelino Kubitschek, Guimarães Rosa, Ulisses Guimarães, Oscar Niemeyer.

Bem acima de todos esses nomes e de milhares de outros também notáveis aparece com invulgar, diferenciado e divino destaque Jesus de Nazaré, cujo nascimento ajustado como ocorrido num certo dia 25 e num mês de dezembro muito posteriormente fixado no calendário gregoriano (1582) impactou definitivamente nosso planeta e a espécie humana que o habita pelo que pregou, pelo que ensinou e pelos maravilhosos exemplos de vida e de convivência que a todos nós legou. Seu nascimento ? até mesmo por parte daqueles que têm dificuldade para aceitar seus laços divinos ? foi marco fundamental na história da humanidade. Ao longo dos séculos ? e já se passaram mais de vinte ? a data ajustada de seu nascimento é universalmente rememorada e festejada pela maioria dos povos, das famílias e das pessoas, cada qual a seu modo renovando em confraternizações que se repetem seu testemunho diante dos valores fundamentais do cristianismo.

A simbologia da manjedoura ? que agora Bento XVI escorado na infalibilidade papal transformou em gruta, sem animais e sem anjos cantantes ? e dos caridosos presentes dos Reis Magos, que também pela literatura papal perderam realeza, sempre constituíram a diretriz principal das comemorações, centradas nos presépios domésticos e nos presentes pessoais identificados e depositados ao seu lado, até que por iniciativa atribuída a Martinho Lutero os galhos enfeitados de pinheiros se transformaram em árvores de natal, artificial e festivamente implantadas em cada casa para carregar de simbolismo as comemorações. A chaminé e Papai Noel - e mais recentemente a econômica invenção do amigo secreto - vieram bem depois, mas, ainda e sempre continuam marcando as alegrias e expectativas, principalmente de nossas crianças num período de vida em que prevalece o imaginário que todos nós, em grau maio ou menor, carregamos até o fim de nossas vidas.

Independentemente de toda a simbologia natalina as formas de comemorações foram variando ao logo dos tempos e, até, em certos momentos prevaleceu o lado mercantilista e materializado em detrimento do grande ponto central ? a celebração do nascimento de Jesus. Ainda bem que nas circunstâncias conflituosas e delicadas destes nossos tempos a espiritualidade prevalece e a celebração vem se constituindo num grande momento que anualmente se repete em nossos corações e nas nossas intenções de vida para celebrar a partir do nascimento de Jesus, o próprio fato do nascimento como momento humano de confirmação da vida e que nos faz lembrar e homenagear todos aqueles que um dia nasceram, viveram e na medida de seus individuais talentos ofereceram decisivas contribuições para os seus semelhantes, inclusive aqueles milhões e milhões de anônimos país pelos valores pessoais e sociais que legaram a seus filhos.

Nestes tempos natalinos em cada abraço, em cada beijo, em cada expressão de Feliz Natal que se troca entre os próximos está implícita profunda e sincera comemoração e cumprimento que, dirigida aos vivos, carinhosamente engloba gratidão e testemunho de reconhecimento para com todos aqueles, inclusive nossos ascendentes, que nasceram, viveram e tanto produziram desde sempre e com certeza muito antes de nós. Com essa justíssima intenção e no mais doce e carinhoso dos idiomas humanos, joyeux noel para todos.

O autor, José Fernando da Silva Lopes, é advogado