|
Éder Azevedo |
|
|
|
Vendedora há 15 anos, Rosalinda está acostumada com o movimento da véspera de Natal
|
Os trabalhadores do comércio de Bauru não tiveram folga na véspera do Natal. As portas das lojas ficaram abertas até às 18 horas de ontem e o movimento foi constante e intenso durante toda a segunda-feira. Para a compra de presentes, milhares de bauruenses e moradores da região fizeram jus à máxima de que o brasileiro deixa tudo para a última hora.
O ajudante geral Eliseu Machado Alves, 34 anos, tem uma boa justificativa. Ele conta que recebeu o vale do salário de janeiro na última segunda-feira. Por esse motivo, foi escolher apenas os presentes só ontem. “Agora que dá para gastar, né? Aí já estou comprando o do moleque, da esposa, da sogra”.
O filho de Eliseu, Gabriel Zani Alves, de 7 anos, estava ansioso pela compra do boneco em versão grande de seu super-herói favorito. “Vou ganhar o do Ben 10”, diz ele, que vestia camiseta e boné do desenho animado.
Para o ajudante geral, o passeio e a descontração junto à família fazem valer a pena o enfrentamento da multidão, que brigava por espaço no Calçadão da Batista. “Tudo está muito cheio. Foi muito difícil conseguir estacionar”, conta.
‘Milagre de Natal’
Vendedora de uma loja de roupas há 15 anos, Rosalinda Cardoso da Silva, conta que a maioria dos clientes da véspera de Natal já comprou a maior parte dos presentes, mas vai atrás de pequenas lembranças para um familiar ou amigo ‘esquecido’ da lista principal. “As vendas são bem picadinhas, mas o movimento é praticamente o mesmo dos outros dias da semana. E isso se mantém ao longo de todos os anos”, relata.
Rosalinda conta que esses clientes, normalmente, procuram por peças de menor preço, mas não deixam de exigir qualidade. “Todo mundo quer o bom, bonito e barato. A gente se desdobra, mas sempre encontra alguma coisa para o gosto do freguês”, brica com seu quase ‘milagre de Natal’.
R$ 1,99 é sucesso no amigo oculto
Para reduzir os gastos com presentes, o amigo secreto é uma alternativa divertida e bastante recorrente entre os brasileiros. Muitos optam ainda para a escolha de lembranças nas famosas lojas de produtos com preços a partir de R$ 1,99.
Os namorados Débora Cadari Andrade, 22 anos, e Thallis Henrique Medina, 23 anos, também deixaram as compras para o último dia e sentiram a dificuldade disso. “A gente está atrás do presente do amigo secreto de R$ 1,99, mas a cidade está tão lotada que está difícil até para escolher a lembrança”, a moça.
A secretária justifica o ‘atraso’ para a escolha dos presentes com a falta de tempo em razão do trabalho. “É muita coisa para resolver”.
Já o operador de máquina estava ansioso para cumprir a primeira tarefa no Calçadão para, depois, junto com a namorada, presentarem-se um ao outro.
Encarregado da loja de variedades, Valdecir Barsotti ressalta que as lembranças, como porta-retratos e objetos de decoração, estão entre os itens mais procurados na véspera. Segundo ele, a busca por enfeites natalinos cai bastante depois dos primeiros dias de dezembro.
O mesmo não ocorre com o movimento. Valdecir diz que o movimento de segunda-feira foi tão bom quanto o dos últimos dias, com a vantagem de 2012 ter oferecido resultados melhores em comparação a 2011.
Aos 45 do segundo tempo
A compra de presentes não é a única coisa que fica para a última hora quando o assunto é Natal. A família de Thaís Aparecida da Silva, 29 anos, sorteou o amigo secreto apenas no domingo. Só restou, portanto, a véspera de Natal para correr atrás da lembrança.
Ela e o companheiro, Daniel Jerônimo, 29 anos, moram em Botucatu, mas vieram para a cidade para passar a data com parentes. “É bom que, já estando aqui, aproveitamos o comércio, que tem muito mais opções”.
Por conta disso, o casal deixou para ontem também a compra dos presentes que trocarão entre si.
O técnico em serviço, porém, não quis saber de escolher o seu junto com a amada. “Daqui a pouco, vamos ter que nos separar. Se não, fica sem graça”, contou.