09 de julho de 2026
Articulistas

Pibão versus Pibinho

Reinaldo Cafeo
| Tempo de leitura: 3 min

O Produto Interno Bruto (medida da riqueza do país) do Brasil obteve apelidos nas últimas semanas. Indagada sobre o desempenho do PIB em 2013 a Presidente Dilma Rousseff disse que não iria arriscar o percentual, mas que seria um Pibão. Foi uma maneira de dizer que o crescimento econômico brasileiro seria robusto. A realidade atual é de um Pibinho. Este ano o Brasil crescerá entre 0,8% e 1,2%, sendo um dos piores desempenhos dos países conhecidos como emergentes.

A combinação deste fraco desempenho com a apreciação do dólar derrubou a renda per capita (renda por pessoa). É o maior recuo em dólares desde 2002. Em 2011 a renda por pessoa do brasileiro ficou em 12.830 dólares ao ano. A previsão é que tenhamos 11.670 dólares em 2012. Queda de 9%. Se pensarmos em projeção para 2013 temos que tomar alguns cuidados. O primeiro é que sairemos de um PIB baixo, portanto, uma base de comparação precária, o que pode levar a um crescimento percentual mais alto. Isto não significa um PIBÃO, mas sim um valor maior do que este ano, mas nada que recupere o tempo perdido.

Para obter um crescimento mais elevado é preciso ficar atento a algumas variáveis importantes. A primeira delas é a inflação. Já foi anunciado o aumento nos combustíveis, o que influencia toda a cadeia produtiva. Pode ser compensado pela queda prevista no custo de energia, mas as coisas podem não ocorrer simultaneamente. Continua a pressão no setor de alimentos. Carnes de uma forma geral estão com os preços nas alturas. O dólar alto tem forçado aumentos em vários produtos cujos componentes seguem a cotação da moeda norte-americana. E há ainda o aumento nos preços dos serviços, cujo monitoramento é mais difícil, posto que não há como, por exemplo, aumentar a oferta via importados.

Com pressão nos preços a economia fica mais amarrada, com juros mais altos, inibindo um crescimento mais consistente da economia. Também não há velocidade nos investimentos em infraestrutura, o que gera a perspectiva de gargalos em alguns setores, impedindo o crescimento sustentado. Eventos como a Copa das Federações, a Copa do Mundo, as Olimpíadas e até mesmo o trem de alta velocidade, podem minimizar os problemas internos. Do lado da demanda o mercado interno ainda não está consistente. Muitas famílias se endividaram e o indicativo é por menor apetite nas compras.

Assim, consumo agregado sem projeção de crescimento robusto, investimentos com crescimento aquém do necessário, com o governo controlando os gastos públicos e o setor externo que não possui volume suficiente para compensar as quedas aqui descritas, fica difícil apostar em um Pibão.

Que 2013 terá melhor desempenho do que 2012 é consenso, o desafio está em manter a confiança dos agentes econômicos, de tal maneira que não tenhamos que amargar novo desempenho pífio. Entre o Pibão e o Pibinho, fiquemos com um PIB que seja ao menos decente.

O autor, Reinaldo Cafeo, é economista, presidente da Acib, diretor do Corecon e articulista do JC