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João Rosan |
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Contemplar todas as áreas e linguagens artísticas foi um dos desafios e prioridades da gestão de Elson Reis |
O prefeito Rodrigo Agostinho confirmou, ontem, a permanência de Elson Reis como titular da Secretaria Municipal de Cultura para sua nova gestão que se iniciará em 2013. “Ele fica. Está tudo certo. Ele fez um bom trabalho”, afirmou o chefe do Executivo. Em entrevista concedida ao JC antes de saber sobre sua permanência no cargo, Reis fez um balanço de sua atuação na pasta, pontuando ações relevantes e dificuldades, e também revelou quais serão as possíveis novidades culturais para Bauru em 2013.
Reis diz que a Secretaria de Cultura de Bauru continuará avançando, já que a linha de atuação será a mesma com a reeleição do prefeito Rodrigo Agostinho. Contudo, Reis afirma que vai lutar para contemplar todas as áreas e linguagens artísticas.
No combate de uma visão “caolha” de administração, como ele mesmo salienta, o trabalho com uma variedade de áreas, eventos, linguagens e atividades culturais foi um de seus destaques durante sua gestão, assumida em 2011, no lugar de Janira Bastos. Confira a seguir os principais trechos da entrevista:
Sem ‘visão caolha’
“Não podemos ver as coisas apenas por um olho e levar assim uma ‘gestão caolha’, aquela que só enxerga um lado e acaba abandonando o restante. Combater esse tipo de gestão é algo que sempre tive como padrão, por isso, nestes dois anos, procurei enfrentar os problemas de todas as áreas da Secretaria, onde há projetos em muitas áreas”, ressaltou. “Na Cultura, você tem o desafio de três museus, bibliotecas ramais e central, Teatro, um calendário grande de eventos de rua, um Carnaval forte. E acho que essa administração conseguiu contemplar várias frentes”, destacou.
Autonomia e Carnaval
A compra de estruturas e equipamentos necessários garantiu autonomia a alguns órgãos, algo positivo na gestão. Reis faz referência à Biblioteca, por exemplo, que aumentou o acervo com compras de livros; a sala de acessibilidade, que foi aberta após a Secretaria adquirir equipamentos; o setor de museus e o Departamento de Proteção ao Patrimônio Cultural ganhou fôlego com a compra de equipamentos e viabilizações que garantiram autonomia.
Outro aspecto positivo, conforme Elson, foi o cuidado técnico. “Nós tivemos suporte do Estado no que diz respeito a necessidades técnicas da Secretaria. O gestor tem que ter, no mínimo, a responsabilidade de saber utilizar e respeitar o conhecimento técnico da equipe”, enfatizou.
Outro “orgulho” de Elson em sua gestão foi o sucesso da retomada do Carnaval bauruense. “Em 2013, o Carnaval poderá ser melhor ou talvez igual a este ano”, salientou. Para ele, a vocação de Bauru é o Carnaval de rua, mas sem que as escolas e demais agremiações se tornem dependentes do financiamento público.
Desafios
Um dos principais desafios foi enfrentar a necessária reforma do Teatro Municipal. “Logo quando assumi a Secretaria, o primeiro ‘ataque’ foi na manutenção do Teatro e na estrutura física do Centro Cultural”, admitiu. Outro grande desafio, que se tornou conquista, foi desenvolver o calendário de eventos da Prefeitura.
“Hoje, a Secretaria tem calendário com mais atividades, que atende várias áreas e demandas. Isso foi um pedido do próprio prefeito, que desejava que houvesse ao menos um grande evento uma vez por mês”, disse. “E o calendário cumpre esta meta, com eventos mensais de destaque, como o Carnaval, a Feira do Livro Infantil, o Festival de Bonecos, o Primeiro de Maio, o Canja, o Face, entre várias outras iniciativas”.
Elson salienta que a realização desses eventos tem sido possível graças a parcerias, nas quais, na maioria das vezes, a Prefeitura é co-realizadora e tem uma importante participação. “É papel da Secretaria apoiar e fazer acontecer esses eventos”, argumenta Reis, que ainda garante que em sua gestão as parcerias que já existiam saíram fortalecidas e novas foram formadas. Elson ainda lembrou o importante apoio do JC, que viabilizou muitos eventos. E acrescentou que a Secretaria caminhou graças ao respaldo do prefeito e outras secretarias.
Políticas de formação
A criação da Companhia Estável de Dança e certos encaminhamentos com a Banda e Orquestra Municipal foram avanços na gestão de Elson, conforme ele mesmo considera. “Conseguimos avançar na questão de valorização da Orquestra e da Banda, vencemos obstáculos burocráticos e atualizamos as bolsas concedidas aos membros”, destacou. A Cia de Dança, assim como a Banda e Orquestra, são importantes políticas de formação e profissionalização. “Esses grupos estáveis fazem parte do processo de formação cultural, são processos de aprendizado. São jovens que se profissionalizam através da arte. Exige um grande investimento, mas há um excelente retorno para o município”, diz Elson. O secretário ainda alega que o próximo passo é criar um coral municipal, que atenda necessidades de formação e profissionalização, assim como os outros grupos já fazem.
Descentralização
O impasse na gestão talvez tenha sido a necessidade de descentralização, com a dificuldade da compra de um caminhão-palco. “Nossas atividades de descentralização cultural avançaram, mas precisam avançar mais. A descentralização deve efetivamente acontecer”, aponta o secretário. O empecilho maior é a compra do caminhão-palco, inviabilizado pela Prefeitura por seu alto custo, que gira em torno de R$ 300 mil.
O secretário lembra que a desarticulação das associações de moradores dos bairros foi algo que dificultou a realização de ações mais descentralizadas, como cursos culturais e outras atividades. “As associações de moradores viabilizavam ações descentralizadas, sempre foram espaços para atividades culturais. Em 1993, a formação deste tipo de organização popular ficou desestimulada, pois faltou órgão que estimulasse”, alegou o secretário. “No entanto, essas entidades voltaram a ficar mais fortalecidas na gestão do Rodrigo. E essa parceria com os bairros precisa ser reestabelecida”, indicou Elson.
Porém, o secretário ressalva que não somente shows de entretenimento nos bairros devem ser valorizados e considerados ações de descentralização. “Descentralizar não é só fazer shows. Em nossos eventos de descentralização, procuramos levar horas de ocupação saudável, mas também fazemos todo um trabalho de resgate, de formação de publico, de democratização cultural. Nosso objetivo, nos eventos que realizamos pela cidade, é mostrar para a população que existe vida além do funk, dos estilos universitários, ou seja, que existem outras manifestações artísticas”.
Entre as propostas de descentralização para o ano que vem, está o investimento nas bibliotecas ramais, ampliando a área de atuação e atividade; e também a aproximação dos pontos de cultura, que, de certa forma, estão nos bairros.
Elson ainda adianta que o Festival Internacional de Teatro de Bonecos, realizado em conjunto com a companhia Mariza Basso Formas Animadas e outros parceiros/apoiadores, terá uma edição mais expansiva, que passará pelos bairros. O Carnaval, segundo ele, também tem a proposta de estar mais descentralizado, com eventos populares em dois bairros da cidade, que ainda serão definidos.