08 de julho de 2026
Geral

Foco vale mais que pensar positivo

Luiz Beltramin
| Tempo de leitura: 8 min

Pense positivo que tudo vai dar certo. O “mantra” exaustivamente repetido, ainda mais quando o assunto, não menos insistente, das resoluções de final de ano volta à tona, é tido praticamente como verdade absoluta. Mas, a mentalização de que coisas boas virão com a chegada de um novo janeiro é, de fato, suficiente para um literal feliz ano novo?

Professor universitário, doutorando em Administração pela Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA/USP), Fábio Zugman é autor de livros sobre empreendedorismo e estratégia, não apenas dentro do campo empresarial, mas também para questões pessoais.

Para ele, tanto para se obter crescimento profissional, empreender um negócio com sucesso e até mesmo emagrecer e terminar ou começar um relacionamento amoroso, demandam de uma mesma ferramenta: estratégia.

Paralelamente à organização e planejamento, observa o consultor, o foco no que vai se fazer também é primordial para se atingir o sucesso. “Se a quantidade de objetivos for muito grande, situações como ansiedade e procrastinação (deixar tudo para depois) tendem a aparecer. Ter muitas metas faz com que elas entrem em conflito”, atribui.


Casar ou comprar uma bicicleta?

Antes de colocar qualquer plano em prática, ensinam especialistas em estratégia e motivação pessoal, é preciso escolher qual a melhor rota.

Protagonista de palestras-show motivacionais, o casal Átila Quaggio Coneglian e Rosimeire Marques Coneglian, mais conhecidos simplesmente como “Átila & Rose”, engrossam o coro do consultor Zugman. Defina um objetivo e mantenha o foco.

“Durante as palestras fazemos uma mágica em que a pessoa escolhe uma carta e mistura no baralho. Nas mãos tenho uma espada. Jogamos o baralho para cima e espeto, com a ponta da espada, uma das cartas que estão voando. Para a surpresa de todos, a carta espetada é a mesma escolhida. Logo pergunto: como um mágico faz isso?”, descreve Átila.

Segundo ele, o segredo é treinar muito para pegar uma carta no ar com a ponta de uma espada. “Em seguida, é preciso ampliar a consciência situacional, manter o foco na carta escolhida entre 52 voando. Caso tente espetar qualquer carta, ficar escolhendo cartas no ar, não pegará nenhuma”, diferencia.

A analogia, observa, serve para nossas as escolhas na vida. “É fundamental treinamento diário e contínuo para manter o objetivo. Com a meta definida, é preciso criar uma estratégia poderosa para alcançar o objetivo. A eficácia também depende da capacidade de observar o ambiente e de se orientar em relação às rápidas mudanças do mesmo”, conceitua Átila.


Os planos de 2013 para quem 2012 foi nota dez

Este ano, para alguns bauruenses, foi marcado por conquistas e muito destaque. O que muitos têm em comum é o planejamento. Assim como este ano, o próximo, se depender do período de “incubação” do novo período, promete ser ainda melhor.


Show de bola

Dentro das quadras e campos, o esporte bauruense colecionou bons momentos, seja nas competições ou no papel de anfitrião. Sede dos Jogos Abertos do Interior, após 40 anos, a cidade recebeu atletas de ponta e ganhou novos equipamentos esportivos.

Com bola rolando, o Noroeste, apesar de enfrentar dificuldades para montar o time para a próxima temporada, após a saída do presidente Damião Garcia, venceu pela segunda vez a Copa Paulista e está garantido na versão 2013 da Copa do Brasil.

Nas quadras, o time de vôlei feminino do Iesb/Preve/Semel conquistou o penta dos Jogos Abertos e, por muito pouco, não garantiu o campeonato paulista da primeira divisão. Ano que vem, há possibilidade da equipe disputar a divisão especial estadual.

Para o treinador Osvaldo Altafim Júnior, independentemente ao campeonato em disputa, o mais importante é manter a espinha dorsal do time que, em 2012, obteve 26 jogos, com apenas três derrotas. “Queríamos muito ter ganho o Paulista, mas tivemos um ano excelente. Se mantivermos o time, teremos boas chances na primeira divisão e, com alguns ajustes, poderemos representar bem a cidade na especial”, vislumbra o treinador.

No basquete, o time do Paschoalotto/Bauru ficou nas semifinais do Estadual. A equipe, comandada pelo técnico Guerrinha, entretanto, levantou a torcida e promete novas emoções para o próximo ano.

Quem tem muito a comemorar é o armador Larry Taylor. Norte-americano naturalizado brasileiro, o “alienígena” se diz bauruense de coração.

Em 2012, ele, que passará a virada do ano com a família nos Estados Unidos, disputou os Jogos Olímpicos com a camisa da Seleção Brasileira - desde 1992 fora das Olimpíadas.

“Foi muito emocionante para mim. Ano que vem, quero novas alegrias e lutar pelo título para Bauru”, objetiva Larry, que, virtuoso em quadra e simples fora dela, conquistou a cidade.


Corrida com novos obstáculos

Com uma reeleição incontestável (82%) nas eleições de 2012, o prefeito Rodrigo Agostinho sabe que, a partir de agora, os desafios são outros. Para projetar o próximo ano, a saída, segundo ele, é não parar. “Não vamos parar. Aliás, paro apenas no dia 31, para correr a São Silvestre”, anuncia o prefeito.

Entusiasta das corridas, ele vai para a quarta participação na tradicional corrida de rua de final de ano pelas ruas de São Paulo. “A meta é completar o trajeto”, visa.

Já quanto ao próximo mandato, o prefeito anuncia que revela os nomes do secretariado já entre o Natal e Ano Novo. “Seguimos no planejamento e acompanharemos, sem interferir, a eleição da mesa diretora da Câmara”, detalha o mandatário.


Por música

Luciana Pires também ajudou a trazer os holofotes para a cidade neste ano. A jovem cantora bauruense - tida uma das promessas da MPB -considera o ano passado a chave para sua consolidação e amadurecimento artísticos. Para 2013, ela vislumbra outras novas e intensas experiências, como cantar ao lado de grandes nomes, como Danilo Caymmi, durante gravação de DVD. “Quero gravar meu novo CD com músicas de antigos festivais”, projeta a cantora, com shows confirmados em São Paulo, no bar Brahma. “A cada ano que passa a gente evolui mais. O mais importante é passar de um ano para outro com muito amor e sempre pensando no bem”, ensina a jovem artista, que também trabalhará em projetos ao lado do pianista Adilson Godói.


Crescimento e vocação

Principal tino econômico da cidade, ao lado do setor de serviços, o comércio também prospecta um bom ano. A representação de classe no setor, no caso, a Associação Comercial e Industrial de Bauru (Acib) tem novo mandatário a partir deste ano. Paulo Martinello está eleito para substituir Reinaldo Cafeo no comando da entidade.

Ele traça um paralelo entre o setor e a própria retomada do crescimento econômico da cidade. “Observamos um leque grande de novos empreendimentos. A própria reeleição de nosso prefeito está atrelada à confiabilidade maior que a cidade ganha para investimentos. Crescemos num ritmo em que se abrem sete novas empresas por dia na cidade”, observa Martinello. “Estamos muito confiantes”, anuncia o novo presidente da entidade.


O ‘conceito de estratégia’

No filme “Tropa de Elite”, o personagem capitão Nascimento, interpretado por Wagner Moura, discursa aos seus “aspiras” longas e enfadonhas traduções, em diversos idiomas, à noite, num acampamento escuro, sobre o “conceito de estratégia”.

Claro que, na ficção, a ideia é evidenciar a tortura psicológica imposta aos recrutas que, após um dia inteiro de treinamento pesado, ainda precisavam encarar uma sonolenta aula teórica à luz de lampião.

No entanto, na vida real, o famigerado conceito de estratégia faz sentido.

Oriunda, coincidentemente ou não, da área militar, a área de estratégia, lembra Zugman, é utilizada por empresas no mundo inteiro, a fim de se estabelecer objetivos e determinar a melhor forma de chegar até eles.

Repleto de listas, o fim do ano reúne diversos objetivos úteis. O erro, explica, está no tamanho das resoluções. “A maioria das pessoas erra ao fazer listas grandes demais. Outro ensinamento da estratégia é tornar o processo de decisão claro e rápido, assim como a ação”, enfatiza.

Entre a hierarquização de ideias e prática, ele elenca quatro passos: “priorizar, pagar o preço, seguir em frente e adaptar-se” (veja quadro).

A primeira etapa, destrincha o consultor, é priorizar o que realmente merece destaque. “O melhor a fazer é criar uma lista com os dez principais objetivos e ordená-los de acordo com a ordem de importância”, orienta.

“Em seguida, risque os oito que estão no fim. É comum termos vários planos e objetivos. Mas, quanto mais tentamos fazer ao mesmo tempo, menos avanços temos”, observa. “Escolha uma ou duas coisas que realmente importam”, ensina.


O preço de nossas escolhas

Tudo na vida tem um preço. Se você quer emagrecer, exemplifica Zugman, terá de abrir mão daquela picanha suculenta, daquele sorvete ou chopp refrescante num final de tarde calorenta – ao menos durante a fase de emagrecimento. Se o objetivo é passar num concurso público, as horas de diversão darão lugar aos dias e noites debruçados sobre livros e testes.

“Se uma empresa quer se expandir, ao escolher um local para uma nova fábrica, tem que pagar o preço de estar naquele local. Se um exército escolhe para atacar o inimigo, deve pagar o preço da resistência”, exemplifica. “Se você está num relacionamento ruim, o preço será o processo de separação e a perspectiva de ficar solitário. Muitas vezes sabemos o que queremos mudar, mas não queremos ou temos medo de pagar o preço”, ressalta.

Arregaçar as mangas, segundo ele, é tão ou mais importante que a simples mentalização. “Não basta só querer. Tem de haver método. Muita gente fala ‘basta desejar com toda força’. Fosse simples assim, todo adolescente teria como namorada a capa da Playboy”, descontrai o estrategista.