08 de julho de 2026
Esportes

Noroeste: Nova realidade

Wagner Teodoro
| Tempo de leitura: 3 min

Em 2013, o Noroeste vai começar a sentir de fato os efeitos da nova realidade na qual o clube entrou após a saída da família Garcia de seu comando administrativo e financeiro. De setembro a dezembro, o adiantamento das cotas de patrocínio da Kalunga, que ganharam um aumento de R$ 20 mil, amenizou a turbulência que a saída de Damião Garcia causou no centenário Alvirrubro, mas, por outro lado, também escancarou a dependência que o clube tinha de seu benemérito. Ainda sob o aporte dos Garcia e presidido por Toninho Gimenez, veio o título da Copa Paulista e o final de fato de uma era. Seguiram-se eleições executivas e Anis Buzalaf Júnior foi conduzido à presidência. Na sequência, vieram as notícias da saída definitiva da Kalunga do clube e de uma reformulação no Conselho Deliberativo marcada para ainda este mês. E agora? Agora, resta um clube para administrar, uma torcida exigente para contentar e uma camisa tradicional para honrar.

O desafio é grande. O Noroeste vira o ano sem acertar com nenhum patrocinador master, segundo Buzalaf. A estratégia imediata é conseguir dinheiro com a negociação de jogadores, explica o presidente alvirrubro. “Estamos atrás de patrocínio e temos proposta para vender alguns jogadores. Vamos negociar algum jogador para manter o clube até arrumarmos algum patrocinador âncora. Temos ainda o plano do torcedor preferencial Noroeste”, destaca Buzalaf. A diretoria também faz um levantamento geral nas finanças do clube e procura enxugar as despesas para viabilizar a máquina noroestina.

Até o final da era Damião Garcia, o Noroeste contava com uma despesa mensal de R$ 400 mil e uma receita de R$ 80 mil. A diferença era coberta do próprio bolso de Damião para a conta fechar no final do mês. Além disso, dos R$ 80 mil de orçamento, R$ 50 mil vinha diretamente do patrocínio da Kalunga, empresa da família Garcia. Ou seja, apenas R$ 30 mil eram oriundos de patrocinadores locais. A intenção da nova diretoria alvirrubra é finalmente ter um departamento marketing eficiente no clube e conseguir apoio local para tocar o Noroeste. E mais que isso, pretende usar ferramentas, como leis de incentivo ao esporte, para incrementar e abrir novas perspectivas de investimento no Alvirrubro.


Bom e barato

Em campo, a torcida pode esperar uma equipe aguerrida e obstinada em conseguir os objetivos do clube: primeiramente afastar quaisquer riscos de uma queda e, posteriormente, brigar pelo acesso à primeira divisão. É o que garante o gerente de futebol alvirrubro, Almir Dionísio, indício de uma nova realidade no clube, que há quase uma década não iniciava uma competição com um discurso de evitar o descenso. “Podemos esperar um time guerreiro. Estamos contratando os atletas dentro da possibilidade que nós temos e estamos tentando montar uma equipe comprometida com o campeonato, comprometida com os objetivos do Noroeste, que são permanecer na Segunda Divisão e brigar pela classificação. Não tem muito segredo”, declara.

Dionísio lembra as turbulências administrativas enfrentadas pela atual gestão e o enxugamento das finanças do clube, fatos que refletem diretamente no futebol alvirrubro, e pede união em torno do centenário Norusca. “Começamos do zero, mas as perspectivas são boas. Porém, precisamos do apoio de todos em Bauru, todo mundo dar as mãos. A época de vacas gordas acabou, agora são vacas magras. Tem que ter os pés no chão e trabalhar”, prega o gerente.

O técnico Carlos Alberto Seixas admite que a missão do acesso é complicada, mas vê na vontade do grupo que monta uma virtude imprescindível para cumprir a meta. “A gente está focado para um objetivo só, que é chegar. É difícil? É. A gente sabe da dificuldade, mas o pessoal está com muita disposição e isso é o mais importante”, considera. “Montamos um time legal para disputar a Série A-2, as perspectivas são boas e estou muito confiante”, completa o presidente Anis Buzalaf Júnior.