No feriado do Ano-Novo, moradores de Cabrália Paulista (45 quilômetros de Bauru) procuraram o Jornal da Cidade para reclamar que a água estava chegando às torneiras com cheiro e gosto de óleo diesel. Procurada, a Vida Ambiental, empresa responsável pela distribuição de água no município, confirmou a ocorrência do problema e disse que ele foi causado pelo rompimento de uma peça no reservatório de captação.
Um dos moradores, que pediu para ter a identidade preservada, revela que percebeu a alteração no odor e no sabor da água anteontem de manhã e que o cheiro era semelhante ao de óleo diesel. Preocupado, ele alega ter tentado entrar em contato com algum responsável pela Vida Ambiental para saber o que havia ocorrido, sem sucesso. Durante a tarde, a reportagem telefonou para o escritório da empresa, mas ninguém atendeu as ligações.
Ontem, o engenheiro de operações do sistema de água e esgoto da Vida Ambiental no município, Augusto César Zoli, contou que o problema foi ocasionado pelo rompimento do retentor da bomba de recalque que faz a captação da água, localizada sobre a laje de reservação. “Com o rompimento desse retentor, houve vazamento de óleo diesel”, afirma.
“Imediatamente, nosso operador averiguou, já parou o equipamento e houve a reposição do que estava danificado. No entanto, houve adução por questão de cinco a seis minutos de água com óleo para a reservação”. Segundo ele, cerca de 500 mililitros de diesel teriam entrado em contato com a água captada.
O engenheiro explica que equipes da empresa se deslocaram para quatro pontos de descarga da rede de distribuição para escoar a água com óleo e diz que as residências mais atingidas pelo problema foram as situadas próximas ao reservatório, que fica a cerca de três quilômetros do Centro de Cabrália Paulista.
De acordo com Zoli, amostras da água foram coletadas e enviadas para análise em um laboratório particular, que não teria constatado alterações mais graves. “Nós estamos averiguando também o ocorrido. Pode ter sido sabotagem, mas a gente não quer entrar nesse mérito”, declara. Um boletim de ocorrência foi registrado para que o caso seja apurado.
O engenheiro ressalta que o contrato entre a Vida Ambiental e a prefeitura de Cabrália Paulista, que vence em março deste ano, visa apenas à manutenção dos serviços de água e esgoto, mas não prevê investimentos nos setores. Segundo ele, não existem poços artesianos na cidade e toda a captação de água é feita através de minas.
Segundo Zoni, o ideal seria que prefeitura e Câmara reavaliassem a questão da duração dos contratos para gestão dos serviços de água e esgoto. “O plano de saneamento deles contempla investimentos a longo prazo. Se eles trabalhassem com contratos mais duradouros, as empresas poderiam fazer a gestão, mas ter garantias também de retorno”, pontua.