08 de julho de 2026
Geral

1º pinguim de cativeiro nasce no Zoo

Bruna Dias
| Tempo de leitura: 4 min

JC

 

Foram mais de 20 anos de estudos dedicados a salvar os pinguins-de-magalhães, que chegam ao litoral brasileiro apenas para morrer, fugindo das águas geladas das Ilhas Malvinas e Patagônia no período de inverno rigoroso, já que são acostumados a temperaturas na casa dos 16 graus.

Dedicação e amor fizeram com que o primeiro pinguim desta espécie em cativeiro brasileiro nascesse no Zoológico Municipal de Bauru, onde está localizado o primeiro Pinguinário totalmente adaptado a eles. Essa é a primeira vez no Brasil que um pinguim nasce em zoológico. Situação semelhante aconteceu apenas três vezes nos aquários de Santos e Guarujá.

O filhote, hoje com 18 dias de vida, nasceu em 16 de dezembro, após 42 dias de incubação em rodízio entre o macho e a fêmea. Desde que foi criado o Pinguinário, em 1987, a equipe do Zoo de Bauru tenta a reprodução destes animais, uma tarefa nada fácil, segundo o diretor do local, Luiz Pires.

“Primeiro nós aumentamos o grupo, melhoramos a nutrição, por exemplo. Além disso, existe todo um cerimonial entre eles, a disputa pelas fêmeas, o canto, as pedrinhas que eles levam para elas. Então, em toda época de reprodução, que acontece no nosso verão, nós preparamos toda a parede com pedras, o ninho com um buraco no chão. Tudo isso é para que aconteça a reprodução, mas nos anos anteriores os ovos não vingaram”, explicou.


Relação de amor

A partir do momento em que a fêmea é escolhida, o casal fica junto por toda a vida, ou até que um deles morra e exista a necessidade de escolher outro parceiro para a reprodução.   Depois do acasalamento, o ovo começa o seu período de incubação em revezamento entre macho e fêmea. “O casal se reveza na incubação porque o outro parceiro tem que se alimentar”, acrescenta o diretor do Zoo.

São mais 40 dias de cuidados, aproximadamente, até o ovo eclodir, como aconteceu com o filhote nascido no Zoo. Os pais, extremamente zelosos, deixam apenas os tratadores chegarem perto de seu “bebê”.

“São dois tratadores que aprenderam tudo o que sabem através do manejo diário mesmo. As primeiras refeições do filhote são feitas com peixes menores, de água doce, retirados do próprio lago do zoo. Os pais regurgitam esse peixe para o filhote comer”, explica Luiz Pires.

A penugem preta começa a mudar de cor e se transformar em partes brancas depois de 40 dias de vida, mas só com 3 anos de idade eles ganham a “carinha” dos pinguins-de-magalhães, com a copa preta e o peito branco. Atualmente, o Zoológico de Bauru possui sete pinguins dessa espécie, sendo dois casais e o restante de sexo ainda não definido.

Apesar do filhote nascido no Zoo de Bauru já ter quase 20 dias de idade, raramente ele deixa a segurança do ninho, que tem a entrada sempre vigiada pelos pais. A expectativa é de que nos próximos dias ele dê os primeiros passos pelos mais de 46 metros quadrados da área do recinto dos pinguins.


O pinguinário

O Pinguinário do Zoológico Municipal de Bauru foi criado em 1987 justamente para salvar os pinguins-de-magalhães, que eram encontrados extremamente debilitados em todo o litoral brasileiro.

“Nós estudamos todo o habitat deles até descobrirmos que eles vivem bem na temperatura de 16 graus com 65% de umidade, e por isso acabavam vindo parar no nosso litoral. A partir daí construímos o Pinguinário, o primeiro climatizado da América do Sul, em 1989”, conta o diretor do Zoo, Luiz Pires.

Os pinguins-de-magalhães migram das águas continentais e ficam cerca de seis meses nadando em águas quentes. Todas as aves trazidas para o zoo de Bauru vieram de diversas partes do Brasil. A fêmea, mãe do primeiro filhote nascido em cativeiro, veio de um centro de triagem de Salvador e tem mais de 4 anos de idade. Já o macho, de 6 anos, veio de Ubatuba, no litoral norte do Estado.

“Nós demoramos a noticiar o nascimento porque os primeiros dias ainda são de muito cuidado. Estamos muito felizes, fechamos o ano de 2012 com chave de ouro. Agora queremos investir no Pinguinário, modernizar e aumentar o tanque”, finaliza Pires.

Os pinquins-de-magalhães vivem cerca de 12 anos em cativeiro e menos tempo em habitat natural. No entanto, apesar de serem resgatados da natureza, uma vez em cativeiro eles não conseguem mais se acostumar ao seu habitat natural, por isso permanecem no zoo.