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O morador Cicero Oliveira lamenta a situação e diz que várias casas já foram furtadas
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Fechado desde 2006, o antigo prédio do Pronto-Socorro do Jardim Bela Vista está em situação de total abandono. Moradores do bairro procuraram o JC para reclamar que a unidade, localizada na quadra 4 da rua Marçal de Arruda Campos, foi tomada por usuários de crack, o que gerou insegurança entre vizinhos.
Há quem afirme que os índices de furto nas residências do entorno aumentaram desde que o prédio foi fechado. De fato, conforme a reportagem pôde constatar, os sinais de ocupação humana nas dependências do imóvel são evidentes.
Além da depreciação de paredes, portas e janelas e do forte odor de urina, por toda parte estão espalhadas peças de roupas, calçados, restos de alimentos e embalagens. Também são visíveis pequenos amontoados de cinzas, possivelmente resultado de fogueiras que foram acesas para o consumo de crack e para aquecer alimentos.
Segundo os moradores, durante longo período, usuários chegaram a ocupar efetivamente o local, inclusive levando colchões para os seus respectivos “quartos”. Mas, após ofensivas da Polícia Militar (PM), o grupo passou a frequentar a unidade apenas durante a noite. Ao longo do dia, o prédio costuma ficar vazio.
“Mas, mesmo assim, a vizinhança se sente ameaçada. Quase todas as casas já foram furtadas por aqui”, comenta o aposentado Cicero Paulo de Oliveira, 78 anos. De acordo com um morador, que preferiu ter a identidade preservada, ele já perdeu um carrinho de mão, duas panelas, um liquidificador e peças de roupa quando sua residência foi invadida.
“A gente não consegue provar que foram eles, mas o problema aumentou desde que o prédio ficou fechado”, confirma ele, acrescentando que sua prima, que também mora no Jardim Bela Vista, é outra vítima da insegurança do bairro. “Ela já foi furtada duas vezes. Levaram um violão e aparelhos eletrônicos”, completa.
Lixo
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Segundo moradores, a intensi?cação do patrulhamento
pela PM diminuiu a “ocupação” do prédio
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Cicero Oliveira lembra que a prefeitura prometeu reformar o imóvel e, de fato, segundo informou a assessoria de imprensa, a previsão é de que, em fevereiro, sejam iniciadas obras para a instalação de uma Unidade do Programa Saúde da Família e de uma Unidade de Assistência Farmacêutica (leia mais abaixo). “Por enquanto, é só promessa. Só vamos acreditar quando tudo estiver pronto e funcionando”, observa o aposentado.
Até agora, o único cuidado efetivo que, aparentemente, o local recebe é de capinação da área gramada. Logo na entrada lateral do prédio, no entanto, o acúmulo de lixo orgânico também incomoda pelo forte cheiro de material apodrecido, além de ser um risco à saúde dos moradores.
“Acredito que sejam os próprios vizinhos que jogam. Mas, como está tudo abandonado, ninguém vem tirar e fica juntando mosca, barata, rato e todo tipo de bicho”, lamenta Oliveira. De acordo com ele, são inúmeros os moradores insatisfeitos com a situação de abandono da unidade, mas, por medo de represálias, poucos têm coragem de reclamar publicamente do problema.
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Ainda é possível encontrar roupas, sapatos e utensílios
queimados nos cômodos; odor de urina é forte no local
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“E não é só uma questão de insegurança. É o mau exemplo também. Muitos aqui têm crianças pequenas e filhos adolescentes, que veem, todos os dias, esses usuários entrando e saindo do prédio. É um descaso da prefeitura com a gente”, lamenta.
Secretaria Municipal de Saúde promete início da reforma do prédio para o mês de fevereiro
Por meio da assessoria de imprensa da prefeitura, a Secretaria Municipal de Saúde informou que o antigo prédio do Pronto-Socorro do Jardim Bela Vista será reformado em breve para receber uma Unidade do Programa Saúde da Família e uma Unidade de Assistência Farmacêutica.
De acordo com a pasta, o processo de contratação da empresa vencedora do processo de licitação já está na fase final e o início das obras está previsto para fevereiro. O imóvel fica ao lado da Unidade de Pronto-Atendimento do Jardim Bela Vista e, quando a nova unidade foi inaugurada, no ano passado, o JC já questionava a situação de abandono do antigo PS.
Na época, o secretário municipal de Saúde, Fernando Monti, afirmou desconhecer que o local estivesse sendo ocupado por pessoas, mas reconheceu o estado de má conservação do prédio. Ressaltou, porém, que o imóvel estava em bom estado do ponto de vista estrutural e que deveria ser reformado e entregue até o final do ano passado.