09 de julho de 2026
Articulistas

O sucesso dos governos

José Fernando da Silva Lopes
| Tempo de leitura: 3 min

O poder político é de desempenho solitário, mas os governantes dependem de auxiliares para realizar as atividades inerentes ao cargo. Os prestadores desse auxílio ? que é essencial ? são recrutados através de concursos públicos ou por escolhas pessoais dos próprios governantes, nesse caso para investiduras temporárias que persistem enquanto for de interesse do nomeante. Os primeiros integram carreira estável e se submetem a normas estatutárias garantidoras da existência, qualidade e eficiência das funções administrativas. Os segundos integram quadro temporário escolhido e mantido pela ótica da confiança pessoal e da qualificação pelo próprio governante. Em suma, o quadro dos servidores de carreira assegura a continuidade dos serviços em favor da normalidade e eficiência administrativa e o quadro dos servidores de confiança se encarrega de influir nas linhas de gestão e execução técnico-política do governante.

O sucesso dos governos muito depende da qualidade dos auxílios que os governantes virem a receber e, no âmbito desses dois quadros administrativos, se exige do governante excepcional sensibilidade para valorizar as qualidades pessoais e a qualificação técnica dos auxiliares que devam estar mais próximos porque caberá a esses colaboradores o encargo de auxiliar ? e amplamente - execução de ações e iniciativas que podem assegurar sucesso de uma administração. Quase sempre observada uma administração bem sucedida e exitosa será possível identificar no quadro de auxiliares, no mínimo, três tipos de colaboradores que se revelam essenciais para a conquista de bons resultados político-administrativos. De modo esquemático quase sempre a administração bem sucedida dependeu em boa parte das qualidades e das atuações de alguns servidores que podem ser denominados de pensador, de articulador e de trator (trator sim porque sua função e atuação guardam semelhança com essa utilíssima maquina). Explica-se.

Na administração exitosa, o auxílio do governante dependerá, em boa parte, da figura do pensador - pode até ser mais de um consideradas várias áreas da administração ? personagem dotado de qualidades diferenciadas que lhe permitem prestar relevante auxílio no conceber, orientar, direcionar, harmônica e coerentemente todo o conjunto das ações de governo a elas conferindo indispensável linha de unidade para alcançar os objetivos e metas do governante.

Num segundo ponto, o êxito governamental também dependerá, em boa parte, do auxílio do articulador - que também pode ser mais de um ainda consideradas várias áreas da administração - personagem dotado de qualidades diferenciadas que lhe permitem prestar relevante auxílio no orientar, no priorizar e no encaixar em linha de organização e superação os movimentos e posturas governamentais diante dos desafios e conflitos da rotina administrativa, aparando arestas e preparando alternativas que possam evitar desnecessários desgastes para as ações de governo e para o próprio governante. Ainda e num terceiro ponto o sucesso governamental também dependerá, em boa parte, do auxílio daquele que age e atua como um trator ? geralmente é mais de um sempre consideradas as várias áreas da administração ? personagem também dotado de qualidades diferenciadas que lhe permitem prestar, com extrema dedicação e ininterrupta onipresença, relevante auxílio para acudir, afastar e resolver a qualquer tempo e hora toda e qualquer dificuldade que apareça em toda e qualquer atuação ou evento de governo.

Nesses agentes e principalmente no modo como se comportam e atuam em boa parte reside o sucesso de um governo, e isso exige afinada sensibilidade do governante para escolhê-los, estimulá-los, prestigiá-los e controlá-los, abonando, valorando ou desaprovando suas ações e iniciativas auxiliares. No fundo, portanto, ainda que o poder político seja solitário o sucesso do governo sempre é dependente, com ou sem injunções político-partidárias, da preocupação e da sensibilidade do governante na formação de sua equipe e na escolha e no controle de atuação de seu quadro principal de auxiliares e de modo particular no que toca às figuras do pensador, do articulador e do trator porque, todos esses, são essenciais e constituem, efetivamente, agentes públicos garantidores de bons governos. Sem eles a gestão fica manca e as metas dificilmente podem não ser alcançadas.

O autor, José Fernando da Silva Lopes, advogado