08 de julho de 2026
Geral

Jovens mantêm tradição de Dia de Reis

Mariana Cerigatto
| Tempo de leitura: 3 min

“Viva o menino Jesus, viva Santo Reis”! declara um grupo vestido com roupas coloridas, que dança, canta e toca vários instrumentos. Quem já presenciou a cena, com certeza gostou e parou para assistir. É o Grupo de Folia de Reis de Bauru, que todo ano realiza a Folia de Dia de Reis, uma festa religiosa com caráter também folclórico e popular. Na cidade, o evento é celebrado todo dia 6 de janeiro no Bauru 16 e já alcançou sua 12ª edição.

Essa preciosa festa da nossa cultura, trazida para cá pelos portugueses, luta para manter-se viva e os jovens são os principais responsáveis por preservá-la. No grupo de Bauru, crianças e adolescentes fazem questão de participar todo ano, cantando, dançando e se envolvendo com o espírito da festa, que lembra a visita dos Reis Magos ao menino Jesus.

Ederson Augusto, de apenas oito anos, é o mais novo da “turma” e participa há dois anos do Dia de Reis, liderado pelo avô, Antônio Correia, que luta para manter o festejo vivo na cidade.

Envolvido com a folia de cunho folclórico e religioso, ontem o garoto cantava e dançava “encarnado” na figura do palhaço, que, conforme a tradição, deve proteger o Menino Jesus. O personagem usa geralmente máscara e é alegre; dança e improvisa versos, criando momentos de grande descontração. “Participo já há dois anos, estimulado pelo meu avô, e sempre ensaio o que vou fazer”, conta o menino.

Aline de Assunção, de 13 anos, e Thalita Larissa Antonia, de 12 anos, também participam já há alguns anos da Folia de Reis. “É importante celebrar o Dia de Reis para não deixar morrer a tradição. É também uma forma de se aproximar de Deus, já que tem muito jovem envolvido com violência e drogas”, ressaltou Aline. Segundo ela, o momento ainda é propício para pedir por saúde e paz.

 

Instrumentos

Com sanfona, reco-reco, caixa, pandeiro, chocalho, violão e outros instrumentos, os foliões seguiram, pelo período da manhã, até a Paróquia Santa Clara de Assis, na rua Sargento Manoel Faria Inojosa, no Bauru 16. A chegada na Paróquia é considerada um dos pontos altos do festejo. Os membros entram durante a missa, sobem no altar e emocionam os presentes com uma bela apresentação que comemora o nascimento de Cristo.

Antes, saindo da rua São Sebastião, no mesmo bairro, os integrantes passaram por aproximadamente 150 casas pedindo donativos e oferendas para a realização do almoço, que é aberto à comunidade e acontece todos os anos na casa de “seo” Antonio. O almoço encerra o evento e é feito através da arrecadação de alimentos e bebidas, que são doados ao grupo.

Durante o trajeto, é carregada uma bandeira, ornada com figuras religiosas. Os personagens - mestre, contramestre, três Reis Magos, palhaços e foliões - trajam roupas coloridas.

 

Poesias

Um dos encantamentos durante o cortejo do grupo são os belos versos, preservados de geração em geração por tradição oral. Improvisados por “seo” Antônio Correa, mestre da folia, os versos improvisados são entoados por todo o grupo, inclusive pelos mais jovens, que também tocam instrumentos. 

“Os jovens têm uma responsabilidade muito grande, pois a tradição não pode morrer, por isso são eles que vão dar continuidade ao festejo”, alega Antônio. Com 73 anos completos, o líder conta que há 60 anos participa e organiza eventos de Folia de Reis. “Tive influências dos meus tios e restante da família”, salienta. Além de Antônio, participam do grupo outras oito pessoas, algumas familiares do coordenador. O Grupo Folia de Reis de Bauru é um dos únicos remanescentes do interior do Estado, o que ressalta ainda mais sua necessidade de preservação e valorização.