08 de julho de 2026
Regional

Raio atinge reservatório de usina

Luiz Beltramin
| Tempo de leitura: 3 min

Ourinhos - Quase cinco milhões de litros de álcool combustível queimam desde ontem de manhã, na usina São Luiz, em Ourinhos (120 quilômetros a sudoeste de Bauru). O incêndio, iniciado por volta das 11h, teria sido causado por uma descarga elétrica, durante forte tempestade que atingiu a região. Não há registro de feridos.

Integrantes do Corpo de Bombeiros de Ourinhos, Santa Cruz do Rio Pardo, além de brigadas de incêndio de outras usinas sucroalcooleiras vizinhas foram mobilizadas para conter as chamas. Entretanto, a única medida para minimizar o estrago foi conter o avanço do incêndio, para evitar riscos de alastramento do fogo ou até mesmo explosão no local. 

De acordo com a equipe de segurança da usina, não havia ninguém trabalhando no setor durante o incidente. “Não tivemos feridos. A indústria está parada devido ao período de entressafra, portanto, não havia pessoas nas imediações”, detalha Ivan Gonçalves da Silva, supervisor de segurança patrimonial da usina São Luiz.

Pela quantidade de combustível a ser queimada, com controle permanente do Corpo de Bombeiros, é estimado o cessar das chamas apenas nesta segunda-feira “Não podemos determinar um período, mas o fogo acabará somente amanhã (hoje)”, avalia o supervisor da usina.

Ontem à tarde, a reportagem do Jornal da Cidade tentou entrar em contato com os Bombeiros em Ourinhos, mas não obteve sucesso. O técnico da destilaria, que estava no local do incêndio quando atendeu ao JC, por telefone, assegurou que as equipes que controlavam as chamas asseguravam a inexistência de perigo de explosão, devido ao constante resfriamento na área. 

“Com o fogo controlado da forma como está sendo feita, não há risco de explosão. Apenas aguardamos a queima de todo o produto que está no tonel”, detalha.  Segundo o supervisor, a usina é dotada de todos os meios de prevenção a acidentes com descargas elétricas oriundas de intempéries. “Temos sistemas de para-raios, mas a intensidade da tempestade foi grande”, atribui.


Recorrente

Em 2007, um raio atingiu três reservatórios da usina Comanche, em Canitar, a poucos quilômetros da área onde o raio caiu ontem, em Ourinhos. Na ocasião, foram queimados cerca 8 milhões de litros de etanol. Na ocasião, um trabalhador, o motorista Luciandre Pavor, morreu e outras 11 se feriram. Além do combustível, o fogo consumiu três prédios administrativos e veículos estacionados na área.

 

Região atingida tem forte incidência de raios

As regiões de Bauru e Ourinhos, conforme estudo do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) tem alta incidência de descargas elétricas.

Conforme o levantamento, o local em que está a usina atingida por um raio ontem tem média de 6,81 descargas elétricas por quilômetro quadrado. O índice é considerado alto, como em todas as áreas onde a graduação supera 5 raios por km².

O estudo, empreendido pelo Grupo de Eletricidade Atmosférica (Elat), o Estado de São Paulo figura como recordista em mortes causadas por raios em todo o País.

Foram 230 registros em 10 anos. Neste período, foram registradas três mortes em Bauru, além de Bariri, Areiópolis, Botucatu e Brotas, cada município com um óbito causado por descarga elétrica em tempestades. Brotas tem a maior incidência na região, com 7,94 raios por quilômetro quadrado. Bauru, conforme o Elat, apresenta índice de 6,19.

Em janeiro do ano passado, um morador do parque Jaraguá morreu após ser atingido por descarga elétrica em Piratininga. Ellivelton Mirando do Nascimento jogava futebol numa chácara, no momento em que foi atingido.

Segundo o Elat, a probabilidade de uma pessoa ser atingida é, em média, menor do que um em um milhão. Anualmente, cerca de R$ 1 bilhão é o prejuízo calculado no Brasil em decorrência de descargas elétricas atmosféricas.