08 de julho de 2026
Internacional

Assad ?propõe? diálogo, mas não deixará poder;adversários desprezam


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Beirute - O presidente sírio Bashar al-Assad rejeitou ontem negociações de paz com seus inimigos, em um discurso desafiador descrito por seus adversários como uma renovada declaração de guerra.

Embora o discurso tenha sido anunciado como o lançamento de um novo plano de paz, Assad não ofereceu concessões e até mesmo pareceu endurecer muitas de suas posições. Ele chamou o povo sírio para “uma guerra para defender a nação” e menosprezou as expectativas de negociações.

“Nós não rejeitamos diálogos políticos, mas com quem devemos dialogar? Com extremistas que não acreditam em outra língua além do assassinato e do terrorismo?” perguntou Assad a apoiadores que lotavam o Damasco Opera House para ouvir o primeiro discurso do presidente desde junho.

“Devemos falar com gangues recrutadas no Exterior que seguem ordens de estrangeiros? Deveríamos dialogar oficialmente com um fantoche feito pelo Ocidente, que tem seu discurso roteirizado?”, questionou.

Foi o primeiro discurso público de Assad a uma audiência em seis meses. Desde o último, os rebeldes chegaram à periferia da Capital.

O vice-presidente da Coalizão Nacional de oposição, George Sabra, disse que o plano de paz que Assad citou no centro de seu discurso “nem sequer merece ser chamado de iniciativa”: “Nós devemos vê-lo (o plano) mais como uma declaração de que ele vai continuar com sua guerra contra o povo sírio”, disse Sabra. “A resposta adequada é continuar a resistir a este regime inaceitável e para o Exército Síria Livre continuar seu trabalho na de libertação da Síria até que cada centímetro de terra esteja livre.”

O discurso foi visto por muitos como uma resposta ao mediador da ONU, Lakhdar Brahimi, que vem se reunindo com autoridades dos EUA e da Rússia para tentar reduzir as diferenças entre Washington e Moscou sobre um plano de paz. Brahimi também se reuniu com Assad no mês passado, na Síria.

“Lakhdar Brahimi deve sentir um tolo após o discurso de Assad, onde sua diplomacia é dispensada, tida como intervenção intolerável”, disse Rana Kabbani, analista sírio apoiador da oposição.

Os Estados Unidos, União Europeia, Turquia e a maioria dos Estados árabes pediram que Assad se demita. A Rússia, que vende e aluga armas para uma base naval síria, diz que apoia uma transição de poder, mas que a saída de Assad não deve ser uma condição prévia de qualquer negociação.

Segundo a Organização das Nações Unidas, 60 mil pessoas morreram na guerra civil, o mais longo e sangrento conflito a emergir em dois anos de revoltas em Estados árabes.

Os rebeldes agora controlam grande parte do norte e do leste do país, um aumento de bairros na periferia da Capital e os principais postos de fronteira com a Turquia, no norte.