09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Olimpíada 2016: O fiasco nacional


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Nem findou a marola das ondas das piscinas olímpicas de 2012 e o afã governamental já se encerrou. Bastante típico. Isso ocorre porque, de quatro em quatro anos, a colossal exposição da mídia dedica uma aparente preocupação do governo pelos resultados dos atletas brasileiros, numa súbita paixão que se arrefece conforme as medalhas não chegam e o Brasil vai ocupando sua tradicional retaguarda no quadro de medalhas.

O atual ministro dos Esportes, Aldo Rebelo, disse que o governo vai dar patrocínio conforme os resultados dos atletas, algo como um sistema de cotas. Também típico: se não tem negro na universidade, criam-se cotas; se faltam deficientes nos empregos, criam-se cotas; se faltam mulheres nos partidos políticos, criam-se cotas. Ora, por que não criar cotas para políticos honestos? Ou para aqueles com competência comprovada? Diante do quadro degenerativo na qualidade dos agentes públicos atuais, qualquer percentual positivo faria diferença.

A dificuldade do governo, que distribui cargos entre políticos burocratas que nada entendem de coisa alguma, está em não ver o óbvio: países medalhistas são vencedores não porque criam cotas para patrocínio, mas porque investem nas bases, formando crianças e jovens competitivos, patriotas e aguerridos. Ganham porque saltam mais alto, nadam mais rápido e correm mais velozes. É quase uma questão de honra nacional, de superação, de vergonha na cara, de ser guerreiro, de chorar de raiva porque chegou em 2º lugar!

Falta-nos brio, coragem e espírito de combatividade. Falta estímulo ao propósito de ser vencedor, algo diferente dos bolsas-qualquer-coisa para ajudar e acomodar cada um na situação que está. E, enquanto isso não acontece, quando um brasileiro ganha é aquela gritaria histérica de "É do Brasil! É do Brasil!". Não é!! É apenas o mérito individual de uns poucos atletas que nasceram com uma boa genética e se esforçaram sozinhos desde muito cedo. Venha o Rio 2016!

Ivan Goffi