10 de julho de 2026
Bairros

Marquise na zona sul também é usada como ?casa? para gestante

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 2 min

A moradia improvisada debaixo da marquise da antiga sede da Associação Luso Brasileira não é apenas “teto” para Roberdan da Silva Lima, 19 anos, e seu irmão mais velho. Em nova visita ao local na manhã de ontem, a reportagem do JC - que publicou matéria sobre o caso ontem - encontrou outra moradora que também afirmou dividir o espaço com os outros jovens e seu companheiro, L.C.B, de 37 anos. Grávida de dois meses, a mulher, T.C., de 30 anos, que pediu para ter a identidade preservada, contou estar instalada no local há um mês.

“Eu e meu marido estamos há seis meses sem usar droga [crack]. Ele está trabalhando em um lavacar e eu fico aqui para cuidar das coisas que estamos juntando para montar nossa casa”, contou a mulher mostrando a segunda via de seu registro civil, tirado na última semana, e os remédios que têm tomado para auxiliar a gravidez.

Segundo ela, o empresário proprietário do lavacar em que L. trabalha, na zona sul de Bauru, prometeu ao casal disponibilizar um espaço em um novo empreendimento que será instalado na avenida Getúlio Vargas.

“Já recebemos doações de madeira e telhas para montar nossa casa. Iremos trabalhar e morar lá. Se tudo der certo, nossos dias aqui estão contados”, conta.

À reportagem, T. informou que Roberdan  e seu cão, o “Doido”, saíram cedo para pegar recicláveis e deveriam voltar somente ao fim do dia.

Conforme o JC publicou ontem, a Secretaria do Bem Estar Social (Sebes) foi acionada para atuar no caso depois do jovem, que informou ser usuários de crack, ter dito que aceitaria ajuda, mas a tentativa de reinserção foi frustrada e, segundo a própria secretária da pasta, Darlene Tendolo, novas tentativas seriam realizadas pela equipe de buscativa nos próximos dias.

Questionada sobre a ajuda da prefeitura, a gestante descartou a hipótese. “Eles querem nos mandar pro albergue, para lá nós não vamos. Queremos nossa privacidade e o nosso cantinho. Por enquanto, estamos bem aqui”, fecha questão a mulher.


Barbantes

O espaço dividido pelos quatro moradores está localizado na quadra 5 da rua Luso Brasileira. A moradia é composta por pedaços de papelão amarrados com barbantes, cercado por tablados de madeira e coberto por mantas e lençois velhos.

A empresa responsável pelo antigo prédio, a Z-Incorporações, foi contactada pela reportagem e afirmou estar em contato com a Sebes para encontrar o melhor direcionamento para os ocupantes do local.