A educação é, sem dúvida, um dos grandes desafios a serem enfrentados pelos prefeitos e prefeitas do País. Mas um desafio em especial merece a atenção de gestores e gestoras: a educação de jovens e adultos. Trazer para o banco escolar aqueles que não tiveram a oportunidade de realizar seus estudos na hora certa é uma tarefa que exige esforço e criatividade de todos nós.
Por razões diversas, aqueles que não completaram seu ciclo formativo da idade certa se sentem, muitas vezes, envergonhados ou não atraídos para os programas de Educação de Jovens e Adultos (EJA). E, com certeza, uma das formas de aproximar esse público do banco escolar é reconhecer a sua diversidade: pessoas com diferentes idades, situações sociais e formação.
É isso que estamos fazendo, com grande sucesso, em São Bernardo do Campo, cujo sistema de EJA recebeu, pela primeira vez em sua história, a medalha Paulo Freire, pelo esforço que fizemos para universalizar a alfabetização. Em todo o País, apenas outras quatro cidades receberam a condecoração, concedida pelo Ministério da Educação. O sucesso de nosso modelo fica claro quando consideramos que, em quatro anos, o analfabetismo na cidade diminuiu em cerca de 27%.
A partir do diagnóstico que fizemos, elaboramos nosso EJA de modo a respeitar as especificidades e necessidades dos alunos. Assim, o sistema de São Bernardo oferece três modalidades de aprendizado: o Movimento de Alfabetização (Mova); o Programa de Alfabetização e Cidadania (Promac), que permite que jovens e adultos deem continuidade a seus estudos; e o Qualificar para Mudar, curso de elevação de escolaridade combinado com a qualificação profissional.
Outro cuidado foi capacitar os alunos em segmentos econômicos - saúde, construção civil, costura, marcenaria, informática, meio ambiente, alimentação, entre outros - onde há demanda por trabalhadores. Nossa meta é, claro, fazer com que seja mais fácil aos formandos conseguir empregos.
Além da flexibilidade do conteúdo dos cursos, também passamos a oferecer outros incentivos para garantir a frequência e aprendizado dos alunos: horários alternativos e transporte, alimentação e material didático gratuitos.
Tudo isso veio acompanhado da necessária capacitação dos professores e demais trabalhadores da educação.
É pela educação que vamos tornar nossa cidade um lugar cada vez mais agradável de viver. Nosso desejo é que esse prêmio sirva de reconhecimento aos professores, inspiração para os alunos e que demonstre para nós, gestores públicos, o que é possível fazer quando há vontade política.
O autor, Luiz Marinho é prefeito de São Bernardo do Campo