08 de julho de 2026
Esportes

Noroeste: Pode ser a salvação

Thiago Navarro
| Tempo de leitura: 3 min

O Noroeste aguarda o desfecho da negociação do volante França com o Hannover, da Alemanha, para saber quanto tem a receber por ser clube formador do atleta. O JC apurou que o valor total pago pelo volante seria de 1,3 milhão de euros, o que corresponde a cerca de R$ 3,4 milhões, pelo câmbio atual. Por ser o único clube formador do atleta, de acordo com a Lei Pelé, o Noroeste teria direto a 5% do valor da transação, equivalente a algo em torno de R$ 170 mil.

O valor, mesmo que ainda não oficial, traria um respiro considerável aos cofres do clube, uma vez que, desde a saída da família Garcia do comando, a relação receita x despesas é uma conta difícil de fechar pelos lados do Alfredo de Castilho. Para se ter uma ideia, o montante equivale a quase três meses de patrocínio da Kalunga antecipados até dezembro último - R$ 70 mil mensais.

A reportagem apurou ainda que o clube alemão não vai adquirir a totalidade dos direitos econômicos do atleta. O Hannover deve comprar 49%, enquanto um grupo de empresários (que detinha 100% dos direitos), ainda ficaria com 51% dos direitos do atleta. O Noroeste não possui mais nenhuma porcentagem dos direitos de França, pois negociou tudo o que lhe pertencia em setembro de 2012, repassando a um grupo de empresários.

França está em Curitiba, cidade onde também mora Marcelo Lipatin, o procurador do jogador. Ambos passaram o dia de ontem correndo atrás da liberação do passaporte, que deve acontecer nesta manhã. Atleta e procurador embarcam para a Alemanha hoje à noite e, de acordo com Lipatin, a negociação foi rápida a ponto de França nem retornar a Bauru.

O atleta é natural da Cidade Sem Limites (residiu no Nova Esperança e no Núcleo Mary Dota), e seus familiares só vão conseguir se despedir no aeroporto de Guarulhos. Em primeiro momento, apenas o jogador e Lipatin seguirão para a Alemanha, mas em uma próxima etapa, esposa e filha do atleta também deverão acompanhá-lo à Europa.


E o Norusca?

Informada sobre a transação de França com o Hannover através da matéria publicada pelo JC, ontem, a diretoria noroestina afirmou que analisa a situação, por ter direito a receber parte do valor da transação, mas que ainda não sabe quando poderá contar com esse dinheiro. De acordo com informações da assessoria de imprensa do clube, “o Noroeste ainda não sabe quanto exatamente tem a receber, pois o valor é de até 5%”.

Ainda segundo a assessoria, o clube bauruense procurou o Criciúma e o Mirassol (equipe onde França estava vinculado até então), e vai aguardar um retorno das partes envolvidas, porém sem estipular um prazo para isso.

O gerente de futebol Almir Dionísio afirmou que o assunto não está sendo tratado por ele. “Mas qualquer dinheiro é bem vindo”, limitou-se a dizer. O presidente Anis Buzalaf Júnior também não forneceu mais detalhes sobre a situação, mas confirmou que, por enquanto, nenhum patrocínio master foi viabilizado para a disputa da Série A-2, a partir do próximo dia 23 – o que reforça a tese de que o valor arrecadado com a venda de França pode desafogar o clube alvirrubro.

O procurador de França, Marcelo Lipatin, afirma que não foi procurado por nenhum diretor do clube bauruense. “O Noroeste não tem mais nenhum percentual sobre o França”, reiterou Lipatin. Por outro lado, o clube poderia eventualmente ter contatado o procurador em função dos 5% a que tem direito em uma negociação internacional, fato que não ocorreu até ontem. “Realmente é o clube que tem de ir atrás do dinheiro, não é o investidor quem faz isso”, explicou.