11 de julho de 2026
Polícia

Em meio à polêmica, secretário de Segurança fala em possível ?ajuste?

Tisa Moraes colaborou Redação
| Tempo de leitura: 2 min

Malavolta Jr.

Coronel Meira, Fernando Grella Vieira, Perioli (Polícia Científica) e Blazeck (Polícia Civil)

Em meio à polêmica decisão de proibir policiais militares de socorrer pessoas envolvidas em confrontos ou vítimas de crimes graves, o secretário da Segurança Pública, Fernando Grella Vieira, não descarta possíveis ajustes na determinação, que já gerou críticas dentro da própria Polícia Militar (PM). Em visita a Bauru para uma reunião de trabalho, na tarde de ontem, Vieira afirmou que a medida poderá comportar pequenas alterações, embora entenda que a resolução foi acertada.

“A finalidade precípua é assegurar atendimento com qualidade à pessoa ferida, a exemplo do que já acontece em acidentes de trânsito. Somente os serviços médicos e paramédicos de emergência, como o Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência), possuem habilidade para fazer esta intervenção”, pontua.

Outro objetivo da mudança é preservar as cenas de crimes para garantir a realização adequada da perícia e das investigações. Porém, para alguns setores da própria PM, esta seria uma demonstração pública de que o governo não confia na polícia.

Representante dos PMs na Assembleia Legislativa, o deputado estadual e major reformado Olímpio Gomes adiantou, nesta semana, que pretende propor um projeto para anular a norma. Já a Associação dos Policiais Militares Portadores de Deficiência ameaçou ir à Justiça.

O coordenador do Samu em Bauru, Carlos Eduardo Sacomandi, analisa que as cidades de menor porte poderão enfrentar dificuldades por conta da mudança. Ainda que seja favorável à medida, ele lembra que, nos municípios em que não há unidades do Samu ou de resgate do Corpo de Bombeiros, o socorro prestado pela PM pode ser a única alternativa para salvar uma vida.

“Muitos contam apenas com uma única ambulância municipal. Se este veículo estiver em trânsito ou estiver em manutenção, esta vítima pode ficar desassistida”, frisa. Em Bauru, no entanto, ele afirma que o atendimento já prestado pelo Samu não será alterado. “Até porque, aqui, não é comum viaturas policiais prestarem este tipo de socorro”, pontua.


Divergência salutar

Grella Vieira salienta, contudo, que a regra vale apenas para vítimas de crimes graves, como tentativas de homicídio e de latrocínio, além de ocorrências que tiverem a participação direta de policiais. “Estamos atendendo a um protocolo internacional. Nas situações mais corriqueiras, a Polícia Militar continua habilitada a prestar atendimento humanitário e social”, pondera.

Também presente à reunião realizada ontem em Bauru, o coronel Benedito Roberto Meira, comandante-geral da Polícia Militar do Estado, afirmou que a alta cúpula não previa aprovação unânime de todos os segmentos, mas diz esperar que, independentemente das opiniões contrárias, todos se esforcem para promover as mudanças necessárias para reduzir a violência nas cidades. “Nosso propósito é implantar medidas para que os policiais sejam bons profissionais e para que tenhamos bons resultados”, frisa.

Para o delegado-geral da Polícia Civil, Luiz Maurício Blazeck, a divergência é saudável como forma de provocar discussões que podem, inclusive, aprimorar procedimentos. “Divergências existem até dentro da nossa casa. Mas é preciso que elas ocorram com responsabilidade, para que possamos focar soluções e não apenas apontar problemas”, destaca.