Toda e qualquer análise sobre a sustentação do crescimento do Brasil alerta para a necessidade de equacionar os chamados gargalos em infraestrutura existentes no País.
Há gargalos no escoamento e armazenamento da produção. Há gargalos nas rodovias, ferrovias, aeroportos, portos e muitos outros setores importantes.
Observem que o crescimento da economia só se sustenta se a infraestrutura do País crescer na mesma velocidade.
O setor elétrico não é diferente. Por sinal, é um dos gargalos mais evidentes. Se voltarmos ao início deste século, lembraremos do racionamento imposto pelo governo naquela época. Mesmo com todos os alertas da sociedade civil organizada, o governo federal acreditou no "milagre da natureza", ou seja, que as chuvas viriam abundantes e na época certa, adiando investimentos, e a sociedade como um todo pagou um preço alto por este, diria, descaso.
Estudos apontam que se o país crescer acima de 5% ao ano a geração e distribuição de energia existentes se esgotam. Não temos um sinal mais forte neste momento porque a economia brasileira andou de lado e crescerá em média 2,4% ao ano (considerando 2011, 2012 e projetando 2013).
Mesmo assim, a situação atual é preocupante. Os reservatórios brasileiros estão abaixo de 50% de sua capacidade. Para exemplificar: a região norte está com 40,5%; a região Sul com 40,4%; a região nordeste com 31,0% e as regiões sudeste/centro-oeste com o preocupante volume de 28,5%.
Com as hidrelétricas operando nestes níveis, o País já aumentou a produção de energia de outras matrizes, como as térmicas. Como o uso será mais intensivo nesta fonte de energia o setor industrial teme pela falta de gás e evidentemente que projeta alta de preços deste importante insumo.
O governo neste momento se vale, pasmem, do baixo crescimento da economia. Neste particular, é como se crise internacional, potencializada no Brasil muito mais do que em outros países considerados emergentes, jogasse em favor de nossa falta de planejamento.
A pergunta que não quer calar: até quando conviveremos com estas limitações em infraestrutura?
Considerando que o investimento em infraestrutura é de longa maturação, qualquer tempo perdido forçará a implementação de ações indesejadas, como eventualmente o racionamento de energia.
Isso é tratar a consequência e não a causa do problema. Como já colocado, isso tudo é de conhecimento de todos, portanto, não investir no que é necessário ao país é no mínimo ser negligente, para não qualificar com outro adjetivo.
Passou da hora de a sociedade civil organizada agir no sentido de exigir mais seriedade das autoridades do setor público, principalmente no trato das questões estratégicas do País. Racionamento de energia, ninguém merece!
O autor, Reinaldo Cafeo, é presidente da Acib, diretor regional do Corecon e articulista do JC