Levantamento divulgado ontem pelo Grupo Gay da Bahia (GGB) aponta que em 2012 houve no País ao menos 336 assassinatos de gays, lésbicas e travestis - o que representa um homicídio a cada 26 horas.
O relatório, feito anualmente pela mais antiga associação de defesa dos homossexuais no Brasil, é baseado em notícias publicadas na imprensa e em informações de ONGs. Nem todas as mortes têm motivação necessariamente homofóbica.
“Quando o movimento negro, os índios ou as feministas divulgam suas estatísticas, não se questiona se o motivo foi racismo ou machismo”, diz Dudu Michels, analista de sistemas responsável pelo material. “Ser travesti já é um agravante de periculosidade dentro da intolerância dominante da sociedade.”
Para o antropólogo Luiz Mott, coordenador do levantamento, 99% dos homicídios listados tiveram um “agravante” de natureza homofóbica. “Seja a homofobia individual, quando o assassino tem mal resolvida sua própria sexualidade; seja a cultural, que pratica bullying contra a comunidade; seja a institucional, quando o governo não garante a segurança dos espaços frequentados pelo movimento LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais)”, afirma Mott.
Ele diz que a quantidade de casos deve ser ainda maior, porque muitos não são conhecidos.