09 de julho de 2026
Regional

Em Arealva, desafios além da areia

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 4 min

A prainha de Arealva (41 quilômetros de Bauru) poderia ser uma opção de lazer próxima e barata, mas não está em boas condições. O lixo deixado pelos frequentadores é algo que salta aos olhos. Garrafas pets e de vidro, sacos plásticos, copos, pratos e todo o descartável usado em churrascos e festas são despejados na praia que carece de limpeza. No braço do Rio Tietê, a situação não é diferente. Além dos aguapés, muitos descartáveis deixados na água. Não bastasse isso, os banheiros estão mal cuidados e com vazamentos.

O autônomo Giovani Caetano visita o local há 15 anos, sempre aos finais de ano. “Sempre acampo aqui. Este ano, acampamos em cinco, no último dia 30 e retornamos a Bauru no dia 06. Curtimos a passagem do ano aqui e no dia 02, quatro retornaram. Eu fiquei. Eles voltam para irmos embora juntos.”

Ele reconhece que a área de camping necessita de manutenção. “Já foi mais cuidada. A impressão é que está abandonada. Esta passagem de ano não teve nem queima de fogos. Ficamos na praia e observamos a queima de fogos dos ranchos que ficam do lado oposto, mas foi coisa pouca.”

Uma das poucas coisas que ainda funcionam bem, segundo o autônomo, são as lanchonetes. “As duas servem porções e bebidas. Os banheiros  deixam a desejar no quesito limpeza.”

A cozinheira Alexandra Pierrone foi com a família passar o final de semana na praia de Arealva e ficou decepcionada. “Estive aqui no Carnaval de 2012. Agora, encontrei os banheiros muitos sujos. O camping está mal cuidado, tem acúmulo de lixo.”

A mulher lamenta a situação e alerta os comerciantes da cidade. “Eu também sou comerciante, em Bauru. Aqui já foi mais limpo. Todos vão para a cidade fazer compras, especialmente na padaria e mercadinho. Eles têm lucro com isso. Mas, se o local continuar descuidado como está, vamos procurar outro lugar para acampar”, promete.

Segundo ela, a limpeza da área de camping e banheiros não é regular. “Hoje está bem sujo. A administração precisa manter a limpeza para atrair novos frequentadores.”


Prefeito quer fazer da praia um cartão postal

O prefeito de Arealva, Paulo Padanosque Pereira, é enfático em dizer que não tem dotação orçamentária para realizar os reparos que a prainha da cidade exige. Ele promete tornar a praia um cartão postal. “Quero fazer uma coisa bastante profissional, não posso investir dinheiro público se não for para resolver o problema. É uma pena ele estar num estado desses,  poderia ser melhor aproveitado. Com recursos próprios não tenho como fazer. Preciso recurso de fora.”

Ele avisa que já pediu verbas ao Ministério das Cidades e Turismo na ordem de mais de três milhões. “Eu pedi através do presidente do meu partido. Ainda não obtive resposta. Não adianta eu mandar retirar os aguapés (planta aquática) se não fizer uma barreira de contenção. Eu limpo hoje e suja amanhã.  Eu tenho que fazer um píer, um atracadouro também. A coisas não podem ser feitas de forma rudimentar.”

Padanosque Pereira promete investir á longo prazo. “Eu tenho interesse em investir no turismo. A lei de Estância Turística pode ser uma alternativa. Eu pretendo transformar Arealva em estância e dessa forma receber recursos direcionados para a vocação da cidade.”

Na área turística, o prefeito quer desenvolver vários itens, eles entre, incentivar a produção de produtos típicos. “Temos muito milho e realizamos a festa do milho, anualmente. Tem o sorvete e o queijo. Minha ideia é incrementar uma área, onde tem um bosque, para que o turista possa conhecer e adquirir os produtos da casa.”


Um sorvete batizado de Arealva

A sorveteria fica em frente à praça principal e tem 37 sabores de sorvete para o visitante se deliciar. No verão, a frequência triplica e o comerciante vende até 300 quilos de sorvete em um final de semana, tal a demanda. Há 20 anos, Isaias Chiavelli faz sorvete. A receita é de família e guardada a sete chaves. Ele conta o sabor Arealva foi criado a pedido de uma pessoa da cidade. “Através do sorvete divulgamos o nome da cidade. A calda base dele é de baunilha e tem avelã.”

O sorvete, segundo Chiavelli, foi criado para atender uma necessidade. “Produtos tipicamente da cidade. Arealva significa areia alva. Fizemos o sorvete com base branca e pasta de avelã. A avelã é a areia grossa do rio. Vende muito bem.”

O comerciante comenta que, no verão, a cidade recebe inúmeros visitantes por conta das chácaras. “Vem muita gente de São Paulo que experimenta o sorvete. No ano seguinte, voltam de tanto que gostaram.”