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Reprodução/Terra |
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Índios exigem proposta do Governo para pagamento de aluguel social |
Um dia após o cerco de 40 policiais do Batalhão de Choque da Polícia Militar à antiga sede do Museu do Índio, no Maracanã, zona norte do Rio, indígenas disseram, na manhã deste domingo (13), que exigem negociação com proposta documentada pelo governo. A tribo afirma que houve apenas tentativa de acordo verbal para pagamento de aluguel social, no valor de R$ 400 a R$ 500.
Ao menos 23 famílias indígenas moram no terreno há cerca de sete anos. Ontem, policiais aguardaram a chegada de uma ordem judicial para desocupar o espaço, cuja demolição está prevista no pacote de obras que preparam o estádio do Maracanã para a Copa do Mundo.
Ainda com barricadas na entrada principal do museu, índios observavam o movimento no entorno da tribo - por cima do muro do imóvel - no início da manhã de hoje. Universitários, que apoiam a permanência dos índios, pulavam a cerca para entrar e sair do terreno.
"Estamos apreensivos porque não sabemos quando eles [policiais] podem voltar. Proposta oficial não tem. Emop [Empresa de Obras Públicas] falou em aluguel social, mas a nível de papel não tem nada de concreto", disse o cacique Carlos Tukano, 52, à reportagem.
O cacique afirmou ainda que tenta marcar uma conversa com o governador Sérgio Cabral (PMDB) desde o início de dezembro, mas não consegue. "Deixei protocolado o pedido de conversa no Palácio Guanabara e até agora nenhuma resposta", afirmou.
"Ele [governador] não pode tratar a gente como se a gente fosse morar na favela. Eu queria que ele fosse mais claro, gostaria que documentasse a proposta. Mesmo assim, eu não concordo porque não queremos ir para longe", disse Tukano.
O líder da tribo destacou que o atual Museu do Índio, em Botafogo (zona sul), informou que não se responsabiliza pelo caso. A AGU (Advocacia-Geral da União) e a Funai (Fundação Nacional do Índio) também não passam posicionamento aos indígenas. O Ministério Público Federal afirmou aos índios que não vai se posicionar até o governo elucidar o processo.
Demolição
Uma liminar que impedia a derrubada do museu foi suspensa há cerca de dois meses, mas a Emop, encarregada da demolição, não informou ontem se o cerco ao prédio era um indicativo de que o trabalho seria feito nos próximos dias. A assessoria do governador diz apenas que não há data para a demolição.
De acordo com a Emop, os policiais foram enviados para que assistentes sociais do Estado pudessem entrar no imóvel para cadastrar as famílias e providenciar sua remoção para outro local.
Em nota, a Polícia Militar afirmou que os policiais cercaram o antigo museu "para reforçar o policiamento do local para o cumprimento de mandado de reintegração de posse".
A demolição do prédio está prevista na minuta do edital de licitação para concessão do Maracanã. A derrubada tem como objetivo, segundo o governo, facilitar a mobilidade do público na chegada e saída do estádio.
Criado em 1953, o museu funcionou por cerca de 25 anos. Desde o fim da década de 1970, está abandonado. Um grupo de índios se mudou para o local em 2006, a fim de evitar a demolição.