08 de julho de 2026
Cultura

Nostalgia na folia

Mariana Cerigatto
| Tempo de leitura: 3 min

João Rosan

Imperatriz desfilará revivendo os anos 60 e 70

O desejo de mudança de uma juventude efervescente. Movimentos políticos, estudantis, culturais, a revolução tecnológica, a onda dos hippies, do rock’n’roll. Nos anos 60 e 70, tudo caminhava para um mundo mais justo e menos desigual. Entretanto... o sonho se realizou? Os ideais de liberdade, paz, amor e igualdade se concretizaram?

Acreditando que “o sonho ainda não acabou”, a escola de samba Imperatriz da Bela Vista foca a ebulição política e cultural dos anos 60 e 70 no Brasil e no mundo. O momento ainda marca a volta da Imperatriz ao Sambódromo, mostrando que o sonho de sair na avenida, realizado na última vez pela escola em 1984, também não se apagou.

O destaque ficará para a ala dos Hippies, que será a “ala da diversidade” e representará as conquistas da mulher na sociedade e a liberdade sexual. Para os carros alegóricos, José Carlos Zotino, presidente da Imperatriz, procura interessados que queiram representar o quarteto dos Beatles e Raul Seixas, que também fazem parte do roteiro.

“Paz e Amor, o Sonho Não Acabou” é o nome que intitula o enredo 2013 da escola, que precisou sofrer uma pequena reformulação. A pretensão inicial, além de abordar os anos 60/70, era fazer uma homenagem ao já falecido Moussa Tobias. Porém, a pedido da família Tobias, a Imperatriz descartou a ideia. A agremiação irá encerrar os desfiles deste ano e não mais a Águia de Ouro, conforme nova definição da ordem do desfile pela Secretaria Municipal de Cultura. A Imperatriz sairá por volta da 1h, no dia 11 de fevereiro, segundo e último dia de desfile.


Sem competir

A Secretaria Municipal de Cultura autorizou a Imperatriz da Bela Vista a participar do Carnaval 2013 como escola convidada. Até a data-limite de inscrição, a Imperatriz não havia se inscrito, porém, após acordo, garantiu sua participação no evento. A escola não terá direito à verba nem concorrerá com as demais agremiações, conforme indica o regulamento atual.

Apesar disso, segundo o secretário Elson Reis, a escola pode pedir para que a bancada de jurados avalie os quesitos. Porém, essa avalição não valerá para a classificação dela no Carnaval. Fundada em 1980, a agremiação já foi campeã e vice-campeã em carnavais passados, e ficou 29 anos sem desfilar logo que suspendeu as atividades no ano de 1984. Agora, a meta é sair todo ano na passarela e atingir o mesmo auge que tinha no passado.


Samba já está gravado

Com poucos recursos financeiros e sem direito à verba, “seo” José Carlos Zotino mantém a oficina de preparação de fantasias na própria residência. Com a ajuda da família e da comunidade, ele diz que os figurinos são simples, feitos de materiais recicláveis.

Mas os preparativos não param e o samba-enredo já está pronto e gravado. Composto por Maurinho Pirata, que pertenceu à “ala de compositores” da escola Mancha Verde, a letra faz referência a trechos de música que marcaram a época retratada no desfile, como “Pra Não Dizer que Não Falei das Flores”. Os ensaios devem começar esta semana na avenida Jurandyr Bueno, a partir das 20h30.


Hippies, Jovem Guarda, tecnologia...

Das minissaias à chegada à Lua: o enredo da Imperatriz da Bela Vista passará por diversas evoluções e transformações que permearam os anos 60 e 70. “Hippies, evolução tecnológica, o movimento estudantil, a ebulição política e cultural, os movimentos civis em favor dos negros e homossexuais... tudo isso estará representado no desfile da Imperatriz”, explicou Zotino. A ideia de retratar esses anos tão importantes para história surgiu com uma pesquisa na Internet por acaso, que despertou o interesse de Zotino, que não parou mais de pesquisar a respeito.