10 de julho de 2026
Bairros

Mesmo com suspeita de irregularidades, pesqueiro fica aberto

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 2 min

Éder Azevedo

Uma das suspeitas é de represamento de um rio para construir lagos artificiais no local

Mesmo sob suspeita de uma série de irregularidades, um pesqueiro instalado ao lado da favela São Manoel continuará funcionando, ao menos temporariamente, em Bauru. Para que possa ser fechado, a polícia depende de laudos ambientais e documentos que comprovem as infrações, que podem demorar para ser emitidos.

Entre as irregularidades, há suspeita de que o responsável pela área tenha represado água da nascente de um rio para construir lagos artificiais e tenha edificado imóveis, entre eles uma lanchonete, em Áreas de Proteção Permanente (APPs). O homem, de 39 anos, também não apresentou documentos comprovando a propriedade do terreno onde está instalado o pesqueiro ou mesmo alvará para funcionamento do negócio.

Havia ainda a suspeita de furto de energia elétrica, por meio de artifício conhecido como “gato”. Mas, até o final da tarde, a suposta instalação clandestina não havia sido avaliada por técnicos da CPFL. No local, a polícia tentava localizar ainda um possível armazenamento subterrâneo de drogas, o que também não ficou comprovado.

Animais do Canil da Polícia Militar (PM) chegaram a ser destacados para a ocorrência, mas nenhum entorpecente - que, imaginava-se, estaria enterrado - foi localizado. A abordagem ocorreu por volta das 10h20 e o responsável chegou a ser levado ao 1º Distrito Policial (DP), mas foi liberado após prestar depoimento.


Laudos

Um boletim de ocorrência foi registrado, mas uma eventual sanção só será possível por meio dos laudos a serem emitidos pela Polícia Científica, que esteve no local. “Precisamos do laudo da CPFL para identificar de onde a energia estava sendo furtada. Também é preciso analisar o tipo de desvio de água que foi feito e constatar que tipo de vegetação foi removida”, elenca o delegado José Dornelles Costa, do 1º DP.

Mercadorias como bicicletas de alta performance, de custo estimado de R$ 5 mil cada, bem como ferramentas como motosserras e materiais de construção, foram apreendidos e somente serão devolvidos ao dono ao final das investigações. Além da Polícia Científica e equipes do Canil, estiveram no local a Polícia Ambiental e policiais da Força Tática.

Segundo o tenente Vinicius Sayki, tudo leva a crer que o terreno foi invadido e que as construções estejam irregulares. “Além do represamento da nascente, houve desmatamento e as obras estavam muito próximas ao rio, em área de APP”, frisa.

Por meio da assessoria de imprensa da prefeitura, a Secretaria Municipal de Planejamento (Seplan) informou que não possui registros sobre a existência de pesqueiro naquela região. Também destacou que, até o final da tarde de ontem, não havia sido comunicada sobre a ação da PM no local.