08 de julho de 2026
Bairros

Temporal deixa rastro de estragos

Tisa Moraes com Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 4 min

Quioshi Goto

 No Centro, força da água removeu parte da terra sob uma casa e danificou construção

A chuva que não deu trégua durante toda a noite de anteontem e manhã de ontem não provocou apenas transtornos, mas foi fonte de riscos aos bauruenses. Em pelo menos dois pontos da cidade, áreas em obras foram palco de queda de postes e muros, o que poderia ter provocado uma tragédia caso houvesse pessoas por perto. Mas, por sorte, ninguém ficou ferido.

Na avenida José Vicente Aiello, próximo ao Cemitério do Ypê, cinco postes de madeira que estavam apoiados em uma base de terra acabaram caindo e interditando a via. Com isso, moradores das Chácaras Cardoso ficaram sem ter como sair de casa, já que o outro acesso, pela rodovia João Baptista Cabral Rennó (Bauru-Ipaussu), passando pelo Residencial Lago Sul, também está bloqueado por conta de obras para implantação de tubulação de esgoto.

“Hoje, não fui trabalhar. Saí de casa e tive que voltar para trás. E ainda ficamos sem energia elétrica”, reclama um comerciante de 55 anos, que preferiu não se identificar.

Proprietário de um pesqueiro próximo, Jéferson Renato de Oliveira também não pôde abrir seu estabelecimento, que depende de energia para funcionar. De acordo com a CPFL, 315 clientes tiveram o fornecimento de energia interrompido por volta das 8h.

À tarde, equipes trabalharam no local para a substituição dos postes por modelos de concreto. Segundo a concessionária de energia, a queda ocorreu em função das obras de prolongamento da avenida José Vicente Aiello, que já estavam sendo realizadas no local. Ainda conforme a CPFL, a distribuição de energia na região foi normalizada às 15h.


Muros

No Centro, o muro de uma residência, ao lado de um terreno em obras, também acabou despencando parcialmente por conta da ação das chuvas. Como a área, localizada na esquina entre as ruas Floriano Peixoto e José Aiello, fica um nível abaixo do imóvel, a força da água acabou removendo parte da terra que estava sob a casa e danificou a construção.

Na Quinta da Bela Olinda, na quadra 3 da rua Carlos Linares Roda, o muro de duas residências de um conjunto habitacional também ameaçava cair. Nas proximidades, outros imóveis também foram invadidos por água e lama.

Para o morador Luciano Ferreira da Rocha, o problema poderia ser evitado se a Companhia de Habitação Popular de Bauru (Cohab) tivesse construído um muro de contenção (arrimo) para isolar as casas do barranco existente logo ao lado.

“Desceu muita terra e muitas casas acabam ficando expostas. Não tem proteção nenhuma. Tenho uma mercearia no bairro e já perdi as contas de quantas vezes tive prejuízo por causa da chuva”, reclama.

 

Agravamento

Depois de uma pequena trégua ao longo da tarde, a previsão era de que voltasse a chover em Bauru na noite de ontem. Por conta disso, segundo a Defesa Civil, a tendência era de agravamento dos problemas contabilizados em toda a cidade durante a manhã de ontem.

“Em vários bairros, o solo está instável, com processo erosivo avançado. Os prejuízos podem aumentar”, adianta o coordenador do órgão, Álvaro de Brito. Apesar de todos os transtornos, até o início da noite de ontem não havia registros de desabrigados ou feridos em Bauru.


Nações Unidas fica imune

Diferentemente dos outros pontos e considerado um dos locais com maior histórico de alagamento em Bauru, depois da avenida Alfredo Maia, o trecho da avenida Nações Unidas sob o viaduto da Fepasa não alagou com a chuva de ontem.

O fato, segundo explicou o próprio prefeito em outra oportunidade, se deve a uma obra de drenagem realizada durante a construção do Boulevard Shopping Nações. Na Alfredo Maia, no entanto, a cena foi a que os bauruenses já se acostumaram a ver. A via foi tomada pela água e ficou intransitável durante horas, mesmo quando a intensidade da chuva diminuiu.


No gargalo

Durante a chuva na manhã de ontem, o nível do rio Bauru nas imediações da avenida Nuno de Assis  impressionava e causava curiosidade em motoristas e pedestres que passavam pelo local. Próximo ao cruzamento com a avenida Nações Unidas, o rio atingia o gramado e quase transbordava.


Erosão gigante

Alvo de inúmeras reportagens feitas pelo JC, a cratera na quadra 1 da rua Nio Myashiro, no Núcleo Geisel, volta a ser notícia após reclamações de moradores sobre as condições da via, que abriga uma cratera de mais de dez metros de diâmetro depois das chuvas de ontem.

“Já jogamos terra, concreto, nada adianta e a prefeitura parece se esquecer desse problema. O poste está vulnerável e um buraco traz perigo para quem mora aqui”, comenta o personal trainer José Marques Junior, 58 anos.

De acordo com a Secretaria Municipal de Obras, a erosão está sendo monitorada e será recuperada em conjunto com as secretarias municipais do Meio Ambiente (Semma) e das Administrações Regionais (Sear).

 

Reclamações com relação às ruas afetadas pela chuva podem ser feitas diretamente para a Secretaria Municipal de Obras pelos telefones (14) 3235-1070 e (14) 3235-1111.

 

Éder Azevedo

Rio Bauru quase transbordou nas imediações da avenida Nuno Assis, ontem de manhã