A forte chuva que atingiu Bauru entre a noite de terça-feira e a tarde de ontem provocou estragos em diversos pontos da cidade. Na região também houve transtornos (leia mais nas páginas 8, 13 e 14). Vários bairros foram castigados, entre eles o Jaraguá e Santa Edwirges, onde um carro atolou, uma casa alagou e ruas de terra foram ‘engolidas’ por erosões.
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Malavolta Jr. |
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Muro desmoronou na rua Severino Dantas, no Araruna |
No Jardim Araruna, o muro de um terreno localizado no cruzamento das ruas Francisco Erias D’annunzziatto e Severino Dantas de Souza desmoronou ontem de manhã e a cachoeira formada em um viaduto transformou uma avenida em um ‘mar’ de água e lama quase intransitável. No mesmo local, uma cratera com cerca de cinco metros de extensão e um metro de profundidade acabou engolindo a rua.
Ao chegar ao local, por volta das 10h, a reportagem se deparou com um agente de trânsito da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural (Emdurb) que interditava três quadras na região dos trechos afetados.
A situação deixou a moradora Jordana Dias da Silva, 29 anos, apreensiva. “Eu morava no Rio de Janeiro e vim a Bauru há oito meses. Não achava que a cidade fosse assim, eles deviam cuidar melhor dos bairros residenciais”, reclama.
Por sorte, no momento em que o muro desmoronou, ninguém passava pelo local. Já na Pousada da Esperança, outra erosão se formou na quadra 1 da rua Maurícia Pereira Lima devido ao rompimento de uma tubulação de galeria. No Núcleo Geisel, o aumento de uma cratera com as chuvas ao centro de uma rua gera preocupação e revolta de moradores.
De acordo com o Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) da Universidade Estadual Paulista (Unesp), até as 13h de ontem, a precipitação acumulada de chuva na cidade chegava a 50 milímetros, o maior índice já registrado desde o início do ano. Com esse número, o nível de precipitação do mês já supera 179,5 milímetros, mais do que o total do que choveu no mês passado. Em janeiro de 2012, as estatísticas do IPMet apontaram o total das chuvas acumuladas em 262,1 milímetros.
“Essas chuvas são causadas por um sistema meteorológico que atua especificamente no verão, a chamada Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS). Ela tem atuado desde a Amazônia até o sudeste do País, provocando um canal de umidade e nebulosidade no Estado de São Paulo”, explica Bruno Medina, meteorologista do IPMet.
Para esta quinta-feira, a previsão aponta tempo nublado e chuvas durante todo o dia. Já amanhã, o sol aparece e a chuva ocorrerá de modo isolado e com pouca intensidade. A temperatura também deverá aumentar de forma gradativa ao longo dos dois dias, chegando próxima aos 30ºC amanhã.
Jaraguá
O temor dos moradores do Parque Jaraguá quanto à possibilidade de danos provocados pelas chuvas intensas, noticiado pelo JC no último sábado, se concretizou na manhã de ontem.
Moradora da quadra 1 da avenida Gabriel Rabello de Andrade, a camareira Miriam Regina Vone, 27 anos, precisou do auxílio dos vizinhos para uma força-tarefa na retirada da lama e da enxurrada que invadiu sua casa, por volta das 9h30, enquanto ela e seus filhos de 10 e 7 anos dormiam.
“As crianças me acordaram assustadas com água até os joelhos. Foi um desespero total. Os aparelhos estavam ligados na tomada e tive medo de sermos eletrocutados”, conta a moradora, lamentando os prejuízos deixados pela chuva. “A chuva estragou meus armários, o sofá, o rádio, até as roupas que estavam dentro do armário ficaram cheias de lama”, completa.
Em um momento de desespero, para ajudar a água a escoar para fora da residência, a camareira chegou a abrir até um buraco na parede do quarto.
Na mesma rua, porém no sentido contrário, a dona de casa Dalva da Cruz Soares, 60 anos, comemorava a proteção trazida pela barricada montada de modo improvisado com sacos de areia, em frente à sua casa. “Por sorte, dessa vez só o meu quintal ficou com lama, mas, na próxima chuva, se houver alagamento, pegaremos nossas coisas e iremos morar lá na prefeitura”, protesta a moradora, em conversa com a vizinha Miriam.
Erosão deixa moradores ilhados no Pq. Jaraguá
Ainda no Parque Jaraguá, o cruzamento entre as ruas de terra da quadra 4 da Benedito Leite de Brito com a Liberto Resta mais se parecia com uma confluência entre barrancos do que com cruzamento de ruas.
Ao longo de quase duas quadras, era possível notar a extensão dos estragos causados pela chuva na profundidade de quase três metros das erosões que ocupam a área.
“Estamos ilhados há dias em casa. Carro, aqui, nem pensar. Dá para sair apenas a pé e pulando”, reclama o morador Geintil Martins, 49 anos.
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Geintil mostra cratera na rua Benedito Leite de Brito |
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Casa da camareira Miriam Regina Vone precisou de força-tarefa entre vizinhos para retirar a lama |