11 de julho de 2026
Política

Doação de Bandeirante: ?Não pode parecer que o avião caiu na praça?

Thiago Navarro com Bruna Dias
| Tempo de leitura: 2 min

Bauru conseguiu a liberação de avião Bandeirante fora de uso, que será futuramente instalado em um local da cidade como atrativo turístico. O lugar ainda não foi definido, mas a ideia inicial é que seja na avenida Nações Unidas Norte. O prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) confirmou que a prefeitura já foi oficiada pela Aeronáutica.

Por outro lado, o prefeito ainda vai estudar a logística para trazer a aeronave até a cidade. “Ainda não sabemos como vamos trazer o avião para Bauru, onde vamos colocar... O fato é que a doação já foi autorizada, mas temos que colocar um objeto como este como monumento, não simplesmente deixar lá. Se fizer isso, dá a impressão que um avião caiu no meio da praça, e isso não pode”, pondera.

O projeto começou em 2011, quando o ex-vereador José Roberto Martins Segalla (DEM) encaminhou um pedido para a Aeronáutica. “Na época, mandei um ofício para o prefeito Rodrigo Agostinho com o intuito de homenagear bauruenses ilustres no futuro parque da avenida Nações Norte. A ideia original é construir um memorial para resgatar essa história de Bauru com a aviação”, explicou.

“O avião vem complementando isso, como forma de embelezar o parque, e seria uma atração turística também. Foi o primeiro avião de passageiros construído no Brasil, e a intenção era conseguir um avião, nem que seja a carenagem, e expor a aeronave sobre o pedestal. O Ozires Silva intermediou junto à Aeronáutica, e precisávamos de uma carta do prefeito, garantindo que seria instalado em um espeço público. A carta foi feita e agora recebemos a notícia que deu certo”, comentou Segalla.

Bauruense, o engenheiro aeronáutico Ozires Silva foi fundador da Empresa Brasileira de Aeronáutica (Embraer), idealizador do avião Bandeirante e ministro de Infra-Estrutura, além de presidente da Petrobras. Ele próprio é a personificação da homenagem que será feita pelo monumento.

Um pedestal para dar suporte à aeronave terá que ser construído. “Entendo que isso não será problema: parcerias com entidades como Senai e Unesp podem ser feitas neste sentido. O mais importante era conseguir o avião, e isso Bauru conquistou, o restante a cidade pode viabilizar por aqui”, disse Segalla.

O ex-parlamentar quer ainda ampliar o projeto para que, no futuro, um memorial sobre o astronauta Marcos Pontes também seja viabilizado. Pontes foi o primeiro, e por enquanto único brasileiro a ir ao espaço.

O consultor de empresas Mário Bevilacqua Neto, 70 anos, ex-presidente do Aeroclube de Bauru, ressaltou que o monumento será um reconhecimento efetivo, direto e “físico” à trajetória de Ozires Silva.

“É merecido por tudo que ele fez pela aviação brasileira”, diz.  O avião será um monumento e vai também representar, de maneira concreta, tudo o que Osires fez por esse setor estratégico do país”, pontuou Bevilacqua.

Hoje, a Embraer – constituída em 1970 para construir o Bandeirante em série - é considerada uma das maiores empresas aeroespaciais do mundo.