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Douglas Reis |
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O “faz tudo” Antunes: busca por profissionalismo aumenta a procura |
Que tal degustar um chope gelado, saboreando uma costela na brasa com toda a comodidade, sem precisar sujar as mãos de carvão ou suar na frente da churrasqueira? Ou então, apreciar um rodízio de pizza sem precisar colocar, literalmente, as mãos na massa? Enquanto isso, a mulherada faz as unhas, capricha no visual. Com um detalhe: todo mundo em casa (leia mais na página 5).
A busca por conforto há um bom tempo deixou de ser privilégio das classes mais abastadas. O crescimento econômico e o aumento da chamada classe média proporcionam uma busca maior por comodidade e, consequentemente, demanda para prestadores de serviços de A a Z.
Cabeleireiros, manicures, churrasqueiros, pizzaiolos... O que não falta é procura, tanto por parte de quem busca conforto quanto com relação à clientela que necessita de serviços de manutenção em casa. Maior demanda mais profissionais escassos igual à valorização. No entanto, segurar os gastos parece ser secundário diante da crescente procura.
Com três décadas de experiência, a manicure Irene Iraides Salles atende em domicílio desde as primeiras unhas esmaltadas.
A profissional observa que a procura pelos serviços aumentou bastante nos últimos anos. Com carro próprio, ela afirma conhecer a cidade como a palma das mãos.
“O pessoal gosta mais do atendimento desta forma. Em casa, o cliente fica mais à vontade, além de poder atender as necessidades dos familiares ao mesmo tempo”, diferencia a manicure.
Saborear um bom churrasco, com toda a comodidade e conforto de casa, sem precisar se levantar da cadeira, também não é mais privilégio para poucos, garante a churrasqueira profissional Ana Pérola Schiavo que, há dois anos, trocou os empregos de babá e faxineira pela arte de assar uma boa carne no espeto.
“Nas festas era eu quem ficava em frente à churrasqueira. Vi que era alta a procura pelo serviço e decidi que queria trabalhar nisso”, justifica ela.
Com uma agenda cheia, preenchida por, no mínimo, seis finais de semana por mês de serviços requisitados, variantes entre R$ 150,00 e R$ 300,00, dependendo do número de convidados, ela confirma a alta demanda pela “churrascaria delivery”. “Desde o começo acho que a procura cresceu uns 80%”, calcula.
Para quem aprecia uma boa pizza, sair de casa não é a única opção para apreciar uma apetitosa redonda com aquele sabor que só um pizzaiolo profissional consegue dar ao prato. Ao invés de gastar com combustível e queimar a paciência em busca de uma mesa vaga ou de lugar para estacionar, muita gente trocou o disk pizza pelo “disk pizzaria”.
Luiz Eduardo Roger de Andrada Coelho, ou “Cheff Giggio”, como é conhecido entre os clientes, é um dos profissionais que leva a cantina à casa da clientela.
Com uma carteira mensal preenchida por cerca de 20 solicitações, além da tradicional redonda, ele também dispõe de outros itens no menu. “Temos muitas opções no cardápio. Mas o grande diferencial é que o freguês pode, a todo tempo, interagir com o chefe”, observa Giggio, contabilizando um aumento aproximado de 40% na demanda no último ano.
Faz tudo LTDA
Antes de receber convidados em casa, entretanto, é necessário ter infraestrutura. Por isso, junto ao conforto, a parte de manutenção e melhorias também é mais do que requisitada. Serviços gerais, como reparos na fiação, encanamento, entre outros, também recebem maior demanda.
A terceirização dos serviços gera fila de espera e, consequentemente, valorização. Atentos, profissionais que aliam a alta demanda ao aperfeiçoamento tornam-se mais raros.
Autointitulado “faz tudo”, conforme anuncia nos classificados, Wesley Thiago Moisés Antunes alia a experiência no ramo de consertos gerais, principalmente em hidráulica e elétrica, ao conhecimento teórico e técnico. “Trabalho desde os oito anos, quando aprendi com meu pai”, orgulha-se Antunes, diplomado encanador em curso promovido por importante fábrica.
Aluno em curso técnico eletricista, ele diz não querer perder tempo – e clientela – em eventual desaquecimento do mercado. “Tem a concorrência também, então não dá para dormir no ponto”, conscientiza-se. Para ele, o aumento na procura é justificado pela busca por qualidade. “Não se trata nem de conforto, mas da preocupação com profissionalismo”, acredita.
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