"Nojo da Política Brasileira": este foi o título da carta de autoria do Sr. Antonio Carlos Rodrigues, publicada na coluna "Tribuna do leitor" no JC (15/01/13), página 2.
Infelizmente, noticiário diariamente na imprensa escrita e na TV denuncia o comportamento dos políticos no exercício do Poder Legislativo e do Executivo, das três esferas de governo, que maculam e desacreditam os homens públicos, parlamentares e governantes, fazendo-nos lembrar da afirmação de Ruy Barbosa: "Chegará o tempo que teremos vergonha de ser honestos".
A citação do Sr. Antonio Carlos Rodrigues: "Quando você vê um motorista, um ascensorista do governo federal (Senado) ganhando alário de R$ 10 mil por mês - e um professor, enfermeiro ou outros profissionais não conseguem ganhar R$ 4 mil de salário ao mês", é de fato um escárnio.
A carta intitulada ?Nojo da Política Brasileira?, do Sr. Antonio Carlos Rodrigues, me fez também evocar dois livros do saudoso professor, escritor, líder do professorado paulista Sólon Borges dos Reis, presidente do Centro do Professorado Paulista por 40 anos, de 1957 a 1997, deputado estadual por cinco mandatos e por dois mandatos de deputado federal e vice-prefeito de São Paulo.
No livro "A Maior Herança" (1965), nos títulos sobre "Educação", registra o auro :"Até anteontem, era possível ao homem alheiar-se a vida política.o isolamenbto cedeu passo à necessidade da participação ativa nos destinos comuns dos integrantes do mesmo grupo".
No livro "A Crise Contemporêa da Educação" (1978), no títullo "Duas Tarefas Prioritárias", uma é "Necessidade de Educação Política"
Sólon Borges dos Reis, sempre defendeu a necessidade da educação política das novas gerações. Justificava que cabe a educação política debelar dois males capitais que perturbam a eficiência do regime democrático e o desprestigiam. Um desses males, afirmava, é sem dúvida a omissão, o outro, é a deturpação. Esclarecia que combatida a omissão e a indierença, cabe a educação o cultivo dos valores políticos que conduzirão o cidasdão a servir a causa pública, não servir-se dela. Ressaltava que a educação política constitui entre nós uma lacuna e não pode ser negligenciada impunemente. Se desejamos o aprimoramento das instituições, a implantação de um regime genuinamente democrático, temos que incluir no currículo das escolas de educaão de base, a dísciplina - Educação Política -.
Pois, a maneira de ser e agir dos homens públicos, políticos ou não, que se destacam a ponto de constituir notícia, influem, quer queiram quer não, na formação da juventude. Os políticos que vencem fazem escola no mundo político e fora dele. Quando um demagogo consegue êxito, cresce o número dos que querem abrir caminho e fazer carreira recorrendo a demagogia.
Valorização da escola pública e valorização dos profissionais do ensino. Grato pela atenção.
Rodolpho Pereira Lima