08 de julho de 2026
Regional

Vereador denuncia uso de máquina

Lilian Grasiela
| Tempo de leitura: 4 min

João Rosan

Para Amarildo Bueno (PSDB), houve desvio de finalidade

Borebi – Um vereador de Borebi (45 quilômetros de Bauru) acusa a prefeitura de ceder máquinas públicas para execução de obras em propriedade na zona rural que estaria supostamente arrendada para genro do chefe do Executivo. O prefeito nega que a área pertença ao familiar e diz que forneceu os equipamentos para realizar uma obra emergencial numa represa que rompeu com a chuva do último dia 16, isolando uma fazenda.

Segundo o parlamentar Amarildo Bueno (PSDB), a fazenda que, supostamente, foi beneficiada pela administração pertence a três irmãos, mas foi desmembrada em três lotes. No local, na manhã do último sábado, ele fotografou a presença de uma retroescavadeira, uma pá carregadeira e um caminhão basculante.

“Os maquinários foram trabalhar em uma propriedade particular, a Fazenda Eldorado, que é do Fernando Tosta, e na qual o genro do atual prefeito, o Pedro Lopes, aluga uma área”, declara. “Teve o estouro da represa, eles foram lá, aterraram a represa e limparam a caixa d’água para o gado, num total desvio de finalidade”.

O vereador diz que o suposto aterramento da represa não teria sido autorizado por órgãos ambientais competentes, o que poderia caracterizar o dano ambiental. Ainda de acordo com ele, locais como a avenida 7 de setembro, que ficou completamente destruída pela chuva, necessitavam de um reparo mais urgente.

Bueno revela também que, em uma conversa pela página de um grupo na Internet, um vereador da base do prefeito teria dito à esposa do dono de uma das propriedades desmembradas que as máquinas estavam lá desde “domingo de manhã”, data que o vereador diz ser 13 de janeiro, antes da chuva. O JC teve acesso à cópia impressa da conversa.

No documento, não é possível confirmar a data da postagem. A mulher reclama que as obras só foram executadas numa das represas e afirma que outras duas, localizadas em sua propriedade, não contaram com o mesmo benefício, apesar de estarem prestes a romper. Segundo ela, seu sítio estaria isolado por causa dos danos causados pela chuva.

“Bem antes de estourar a represa, eles já estavam trabalhando na propriedade particular em benefício do genro do prefeito”, alega. “No dia 4, vamos encaminhar pedido ao Ministério Público de improbidade administrativa, para o Tribunal de Contas apurar, e também para o Procurador-Geral do Estado, onde o prefeito pode responder por crime”.


Prefeito nega irregularidades

O prefeito Manoel Frias Filho (PR), o Mané Frias, confirma que, no último sábado, dia 19, forneceu uma máquina e dois caminhões basculantes, das 7h às 11h, para que fossem executadas obras emergenciais na propriedade rural. No entanto, de acordo com ele, a denúncia de que os equipamentos estavam lá no dia 13 não é verdadeira. “A propriedade não é do meu genro, a propriedade é do dono da fazenda onde estourou quatro represas”, afirma.

“Esses vereadores nunca ajudaram a fazer nada e, agora, quando acontece um negócio desses, eles só sabem criticar. Quando arrebentou as represas lá em cima, o pessoal da propriedade ficou sem saída. Aí, eu mandei as máquinas no sábado lá para poder tapar o buraco onde estourou a represa”.

Segundo o prefeito, o local onde foi feito o reparo emergencial foi o responsável pela inundação que atingiu a cidade no último dia 16, após uma forte chuva, deixando trechos da ‘rodovia da Amizade’, que liga Borebi a Agudos; e da vicinal prefeito Antonio Carlos Vaca, que liga o município a Lençóis Paulista, debaixo d’água.

Na ocasião, conforme divulgado pelo JC, o pavimento asfáltico e as tubulações instaladas na avenida 7 de setembro ficaram completamente destruídos. O trecho, de acordo com Frias Filho, está sendo recuperado com ajuda de máquinas da concessionária Rodovias do Tietê e deverá estar concluído até o final desta semana.

Ele nega que tenha ocorrido o aterramento da represa e revela que, na área, foi implantado um tubo de 40 milímetros para que seja feito o escoamento da água. As demais represas, incluindo as outras duas que também estão localizadas na fazenda, segundo o prefeito, não correm risco de romper, conforme avaliação da Defesa Civil.

“Se precisar mandar mais dois, dez, vinte (máquinas), eu vou mandar. Eu não tenho medo, não estou fazendo nada de errado”, diz. Já a reclamação da mulher que mora em uma das propriedades desmembradas não procede, de acordo com ele. “Para ela, eu não vou arrumar porque ela não está precisando de passagem. Ela não usa as represas, ela já tem a estrada do outro lado”.