10 de julho de 2026
Nacional

Assentados usam ex-presidente Lula para pressionar o governo federal

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

São Paulo - Assentados invadiram ontem a sede do Instituto Lula em São Paulo para pressionar o ex-presidente a interceder junto a Dilma Rousseff para que ela assine decreto de desapropriação de uma área no Interior paulista.

A assinatura possibilitaria que cerca de 70 famílias que vivem desde 2005 no assentamento Milton Santos, entre Americana e Cosmópolis (próximo a Campinas), fiquem no local. A área é alvo de disputa na Justiça, que determinou a reintegração de posse até o dia 30.

O instituto foi invadido por volta das 6h30 de ontem. Segundo relato do vigia, Valdemir Timoteo, ele foi obrigado por dois homens a dar acesso  ao local quando saía para fazer uma corrida. Os invasores, segundo ele, chegaram em carros e kombis.

O vigia procurou a polícia, que cercou o local com seis viaturas. Mas o Instituto Lula decidiu não tomar nenhuma medida ontem.

O escritório, que fica no bairro Ipiranga, zona sul de São Paulo, é usado por Lula para reuniões desde que ele deixou o Planalto, em 2010. Ontem, o ex-presidente alterou sua agenda e deixou de ir ao local por causa da invasão.

No início do janeiro, a futura sede do museu que será construído e mantido pelo Instituto Lula, no centro de São Paulo, foi invadida por um grupo de sem-teto.

No decorrer do dia, os representantes dos assentados fizeram estimativas diversas sobre o número de invasores - de 50 a 100. Entre os manifestantes, havia pessoas que se identificaram como integrantes do PT, PSOL, PSTU e movimento estudantil.

Pouco depois do início da ocupação, os assentados receberam o presidente do instituto, Paulo Okamotto, que disse não ter havido depredação ou incidentes no local.

Logo após, ele conversou com o ministro do Desenvolvimento Agrário, Pepe Vargas.

No final da tarde, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) afirmou, em nota, que negociaria com as famílias desde que eles deixassem os prédios ocupados - outros assentados estão desde a semana passada na sede do Incra.

Os assentados devem decidir sobre a permanência em reunião marcada para hoje.

Um dos integrantes da coordenação do assentamento, Paulo Albuquerque disse que a escolha da sede do instituto como alvo da invasão foi tomada pelo “peso” de Lula.