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Fotos: Malavolta Jr. |
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Cruzes e vasos de flores foram colocados ontem no acostamento próximo do local do acidente em 2010 |
Pederneiras - Três anos após um acidente causado por um veículo na contramão que matou quatro pessoas no trevo de acesso ao distrito de Guaianás na rodovia Comandante João Ribeiro de Barros (SP-225), em Pederneiras (26 quilômetros de Bauru), os familiares de duas das quatro pessoas voltaram ao local na manhã de ontem, às margens do acostamento da pista, para prestar homenagens aos seus parentes mortos.
Com quatro cruzes brancas e vasos de flores colocados no local, os pais de Fernando Heitor Raphael e a esposa de Antônio Claudi de Moura, na época do acidente em janeiro de 2010 tinham 35 e 42 anos respectivamente, se reuniram por cerca de 10 minutos para rezar, pedir mais fiscalização na rodovia e justiça no caso. Segundo as famílias, até hoje não teve o inquérito concluído. O JC apurou junto à delegacia da cidade que o processo foi encaminhado pela Polícia Civil ao fórum do município, onde aguarda pela decisão da justiça. A dificuldade em punir alguém ocorre, porque o motorista que estava na contramão também morreu no acidente.
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Isabel Aparecida Moura levou vaso de flor para lembrar a morte do marido no acidente |
“Só nos restou a dor e o sentimento de injustiça”, lamenta a esposa de Claudi, Isabel Aparecida Moura, 46 anos, ao colocar os vasos de flores sob a cruz simbólica representando a morte do marido. “Infelizmente, ele ficou desesperado quando viu os carros. Então parou e saiu correndo para ajudar, logo depois vimos um clarão e ele já tinha sido jogado longe por outro carro”, lembra a mulher, ao lado dos filhos, contando que na noite do acidente seguia de Pederneiras para Bauru, onde a família residia, após uma confraternização com os amigos de Claudi. “Foi o último futebol da vida dele”, completa.
Ainda muito abalada com a morte trágica do filho, a advogada Ondina Silveira, 69 anos, não se esquece dos últimos momentos que passou com o rapaz dentro do carro que ele conduzia para levar a mãe e o irmão mais novo embora para Bauru, depois de passarem um final de semana em Jaú, cidade onde a vítima residia. Conforme ela, o último ato de seu filho antes de ser atropelado e morrer foi pegar o extintor do carro e pedir para que o irmão ligasse para o resgate. “Depois disso, só vi um clarão e ele se foi”, lamenta. “Estamos aqui para pedir respeito no trânsito, justiça e cobrar mais fiscalização e sinalização das rodovias. O motorista, que atropelou meu filho, estava acima do limite de velocidade permitido. Além disso, ninguém, além dos mortos, passou por exame toxicológico”, aponta Ondina, acompanhada pelo marido Almanir Silveira, 69 anos. Para a mãe da vítima e advogada, o inquérito foi retomado após o pedido das famílias.
Sinalização
Inconformado mesmo após três anos da data do acidente, que ocorreu no dia 23 de janeiro de 2010, por volta das 21h, João Carlos Raphael, 58 anos, tio de Fernando, reclama da sinalização da pista. “Eu cheguei a fotografar o local do acidente que, após três anos, continua do mesmo jeito. Ao sair da vicinal, o motorista que não é morador da região perde o norte, deveriam ter placas indicando o sentido de direção”, afirma.
A Centrovias informa que, no local em que ocorreu o acidente, não houve intervenção porque a sinalização viária (horizontal e vertical) está de acordo com as normas estabelecidas pelo contrato de concessão firmado junto ao Governo do Estado de São Paulo e fiscalizado pela Artesp.
“Não existem neste trecho vias vicinais que façam interseção com a rodovia SP-225 e sim dispositivos de acesso e retorno, todos sinalizados conforme as normas de segurança”, alega a assessoria de imprensa da concessionária.
O acidente
O acidente matou o condutor do carro que estava na contramão e outras três pessoas atropeladas, além de deixar outras cinco vítimas gravemente feridas.
Segundo o Policiamento Rodoviário informou na época, a sequência dos acidentes aconteceu após Vicente de Oliveira Pereira, 38 anos, parar para abastecer o Gol cinza, placa DMV 0429, de Bauru e, ao sair do posto de combustível, tomar a direção errada da rodovia.
Ao invés de seguir no sentido para Bauru, ele pegou a pista em direção a Jaú.
O veículo percorreu cerca de um quilômetro em sentido contrário até colidir lateralmente com outro que vinha no sentido correto.
Luís Carlos Antunes de Oliveira Júnior, 24 anos, que conduzia a Saveiro branca, placa DDZ 0250, de Pederneiras, tentou desviar do Gol, mas não conseguiu.
Após o impacto, o Gol ficou sobre a pista de rolamento. Em seguida, o Palio prata placa DNL 4735, de Bauru, conduzido por Saulo Adriano de Lima, 28 anos, chocou-se contra o Gol, causando a morte de Pereira, motorista do Gol. Lima, motorista do Palio, e Ricardo Alves da Silva, que viajava no mesmo veículo, ficaram gravemente feridos.
Cerca de três minutos após, ocorreu a terceira e mais grave colisão. Outro Gol, de cor verde e placa HRN 4793, de Duartina, que seguia em direção a Bauru, conduzido por Antônio Carlos Belarmino da Silva, 37 anos, chocou-se contra o Gol cinza, que continuava sobre a pista. Após a batida, o Gol verde atropelou Antônio Claudi de Moura, 42 anos, morador de Pederneiras, e Fernando Heitor Raphael Silveira, 35 anos, que apenas prestavam socorro às vítimas no local. Entre os mortos também estava Oliveira Júnior, motorista da Saveiro.
Aumento no movimento
Entre 2010 e 2012, o trecho entre Bauru e Jaú registrou um aumento de 10% no tráfego de veículos, conforme informação da Centrovias. Neste mesmo período, o número de acidentes caiu de 397 em 2010 para 388 em 2012. O número de mortes caiu de 19 para 11, mesmo com o aumento do movimento, de acordo com a concessionária.
A Centrovias informa que tem destinado seus esforços para a preservação da vida e investe em obras e melhorias, com inúmeras campanhas de segurança rodoviária junto aos usuários e programas permanentes de conscientização e educação para o trânsito voltados a alunos, motoristas, ciclistas, motociclistas e pedestres que vivem nos municípios da área de concessão.