09 de julho de 2026
Polícia

Bairros se opõem à ?superdelegacia?

Vitor Oshiro
| Tempo de leitura: 3 min

Aceituno Jr.

Líder comunitário 'Ticão' mostra conjunto de assinaturas

A reengenharia da Polícia Civil é, sem dúvida, a “menina dos olhos” da corporação para 2013. Com a promessa de melhorar o atendimento e agilizar as investigações, todos os distritos policiais (DP) e unidades especializadas serão aglutinados em março. A medida determinada pelo governo do Estado, contudo, não é unânime. A população dos bairros dos quais os distritos migrarão contesta a distância da nova “superdelegacia” e teme que a insegurança aumente.

A nova sede da Polícia Civil ficará na quadra 23 da avenida Rodrigues Alves e reunirá a Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes (Dise), Delegacia de Investigações Gerais (DIG), Delegacia da Infância e Juventude (Diju), o Plantão Permanente da Polícia Civil e os quatro distritos policiais.

É exatamente no deslocamento dos distritos dos bairros para a “supersede” que está a polêmica. “Com certeza, aumentará a insegurança nesses locais. Sem a delegacia, vai aumentar o tráfico de drogas e os crimes decorrentes dele, como os furtos”, aponta o presidente da associação de moradores das vilas Falcão e Paraíso, Osvaldy Martins.

Conhecido como Ticão, ele foi, por três vezes, presidente do Conselho Comunitário de Segurança Pública das regiões Noroeste e Oeste de Bauru (Conseg Noroeste-Oeste) e já mobilizou um abaixo-assinado pedindo que os distritos não saiam dos bairros.

“Levamos o abaixo-assinado em igrejas, escolas e faculdades e está sendo muito bem aceito. Já temos milhares de assinaturas. Nossa ideia é juntar cerca de 25 mil e, depois, encaminhar ao Ministério Público”, conta.

Além de afirmar que a delegacia inibe a ação dos bandidos, Ticão ainda ressalva que a distância da nova sede irá dificultar a população a notificar os crimes. “A pessoa não vai sair da casa dela para ir lá longe fazer o boletim de ocorrência (BO). O que vai acontecer é que vão começar a se armar e tentar fazer justiça com as próprias mãos”, complementa.


‘Sem achismo’

O diretor do Departamento de Polícia Judiciária de São Paulo Interior 4 (Deinter-4), Benedito Valencise, rebate os argumentos e afirma que tudo foi planejado de forma racional. “Trabalhamos com base em planejamento e dados. Não tem achismo no que fazemos. A reengenharia irá recepcionar melhor as pessoas e não terá demora no atendimento”.

De acordo com ele, há estudos apontando que a presença de uma delegacia não influi em nada na criminalidade dos respectivos locais. “A função da Polícia Civil é investigar. Ter uma delegacia ou não em uma área não muda o índice criminal”.

Em relação à notificação dos crimes, Valencise também prevê que as pessoas continuarão registrando os BOs. “Iremos melhorar o nosso trabalho. E, assim, resolver mais crimes. É isso que a população quer. Se resolvermos mais, eles irão comunicar ainda mais ocorrências”, finaliza o diretor do Deinter-4.


Polícia defende que mudança só trará melhorias

Um dos argumentos levantados por quem é contra a reengenharia da Polícia Civil é de que o processo seja uma estratégia para dar uma pseudossensação de maior efetivo.  “Sabemos que a polícia sofre com a falta de homens. Quando se juntam todos em um mesmo prédio, vai dar a sensação de que tem bastante gente. É para mascarar a falta de pessoal”, reclama Osvaldy Martins, o Ticão.

Já o diretor do Deinter-4, Benedito Valencise, nega veementemente essa questão. “Isso não é verdade. Tem muita gente dizendo isso, mas são pessoas que não sabem o que falam. É uma medida que somente trará melhorias para a população”.

Um dos exemplos de benefício apontado por Valencise é justamente em relação ao Plantão Policial. Hoje, há demora no atendimento, sendo que viaturas da Polícia Militar (PM), que podiam estar em patrulhamento, precisam ficar aguardando muito tempo para registrar as ocorrências. “Lá, na nova sede, haverá mais de uma equipe. Isso agilizará em muito o atendimento”, conclui.


R$ 55 mil

Além de todo o investimento em aparelhagem que a mudança acarretará, o prédio que abrigará a nova sede custará R$ 55 mil mensais ao governo do Estado. Este é o valor do aluguel do imóvel na quadra 21 da Rodrigues Alves.

O diretor do Deinter-4, Benedito Valencise, afirma que, apesar desse custo, o fato trará benefícios inclusive financeiros ao Estado. “Quando se faz compras em grande monta, o valor é bem menor. Então, iremos unificar até isso”, finaliza.