Lençóis Paulista – Comerciantes de Lençóis Paulista (43 quilômetros de Bauru) estão se mobilizando para pleitear junto à prefeitura a implantação de uma Guarda Civil Municipal (GCM) visando reforçar a segurança na cidade, sobretudo na região central. Ontem, o JC divulgou matéria de comerciante que mudou de ramo após ser assaltado duas vezes em doze dias (leia mais abaixo). No próximo dia 4, o vereador Anderson Prado de Lima (PV) vai solicitar ao Exectuivo a realização de estudo sobre a viabilidade da proposta.
O parlamentar conta que, em apenas cinco dias, sete comerciantes lhe telefonaram reclamando da falta de segurança no município. “Uns defendem a guarda civil, outros solicitam melhorias na segurança pública. É do meu conhecimento e do conhecimento também dos comerciantes que a segurança pública é dever do Estado, mas a gente não pode ficar calado e ficar parado. Se o Estado não dá conta, a municipalidade vai ter que dar”, declara.
Para conhecer de perto a estrutura de uma GCM, na próxima semana, Lima vai visitar duas cidades que contam com a corporação – Rancharia, com 25 mil habitantes, e Botucatu, com 127 mil habitantes. “Eu quero conhecer os direitos e os deveres da organização, de onde os fundos são provenientes, para que eu possa discutir um projeto junto ao Executivo e aos demais vereadores aqui em Lençóis”, explica.
Segundo ele, a ideia inicial é lutar pela implantação de uma guarda preventiva, que auxilie a Polícia Militar (PM) a coibir ações criminosas. “Lençóis Paulista parece-me que não comporta uma guarda municipal armada com armas letais. Então, seria uma guarda preventiva, armada com armas não-letais como (pistola) taser, spray de pimenta. Uma guarda também, acredito, que tenha que ser treinada com autodefesa”, diz.
O vereador revela que, na última terça-feira, reuniu-se com a prefeita Izabel Lorenzetti (PSDB) para discutir a questão e ela se mostrou disposta a avaliar a viabilidade da criação da GCM. “Eu tinha isso como bandeira de campanha mas, hoje, já passou a ser uma reivindicação da população, mais precisamente do comércio lençoense, que vem sofrendo muito aqui com furtos”, afirma.
“Eu acredito que nem Polícia Federal, nem Polícia Militar e nem Polícia Civil conseguem coibir um assalto a joalheria, a um caixa de banco, a um banco porque existem dois tipos de bandidos. Tem os profissionais e tem aqueles que não são profissionais, que são aqueles oriundos do comércio de drogas. Mas eu tenho certeza que a presença (da GCM) inibe”.
Além de intermediar a implantação da GCM, o parlamentar anuncia que, como integrante da Mesa Diretora da Câmara, está tentando agendar audiência com o governador Geraldo Alckmin (PSDB) para solicitar o aumento do efetivo policial no município. “Nosso contingente é defasado em relação a cidades do mesmo porte ou menores na região”, diz.
“Além disso, nós temos câmeras na cidade e existe um processo burocrático na aquisição de imagens. Hoje, a jurisdição dessas câmeras pertence à prefeitura, o acesso não é via polícia. São pontos que podem melhorar a segurança pública do município, mas precisam ser discutidos”.
Sem plano no momento
Em nota, a prefeita Bel Lorenzetti ressaltou que o assunto segurança é complexo e exige uma soma de esforços no seu enfrentamento. “A cidade tem investido em monitoramento, melhorias na iluminação pública, equipamentos de segurança nos prédios públicos e estuda a viabilização de assinatura de convênios com a Secretaria de Segurança Pública para contar com mais horas de trabalho dos Policiais Militares (atividade delegada)”, informa.
Segundo ela, a implantação da Guarda Civil Municipal em Lençóis Paulista “não está sendo considerada no momento”. “Não há recursos no orçamento para esta implantação e manutenção. O serviço, já existente em algumas cidades, está sendo avaliado e estudado quanto a seus resultados efetivos para se considerar sua implantação a médio prazo”, esclarece.
A reportagem telefonou para o comandante da 5ª Companhia da PM no município, capitão Elvis Alessandro Fernandes Botega, para saber a opinião dele em relação à criação da GCM, mas ele pediu que fosse enviado e-mail à assessoria de imprensa da PM solicitando autorização para a entrevista. Apesar do JC ter seguido a orientação e recebido a informação da assessoria de que o comandante entraria em contato, até o fechamento desta edição, ele não havia dado retorno.
Insegurança
Conforme divulgado ontem pelo JC, após ser vítima de dois assaltos em doze dias, um comerciante de Lençóis Paulista anunciou que, em razão da falta de segurança, não irá mais comercializar joias em suas três lojas, duas em Lençóis e uma em Macatuba.
No dia 10 de janeiro, quatro homens armados entraram em uma das lojas de Lençóis, na rua 15 de Novembro, no Centro, e roubaram várias joias, entre anéis, correntes, brincos e relógios de ouro, além de quantia em dinheiro não divulgada.
Na última terça-feira, dia 22, o alvo dos ladrões foi a loja de Macatuba, que fica na avenida Coronel Virgílio Rocha, no Centro. A Polícia Civil suspeita que os dois crimes tenham sido praticados pelas mesmas pessoas.
Na ocasião, dois homens armados, usando óculos de sol e bonés, entraram no local, trancaram os três funcionários nos fundos do imóvel, e fugiram levando grande quantidade de joias e a bolsa de uma das vítimas.
Segundo o capitão Jeferson Campos de Santana, comandante da 6ª Companhia da PM, responsável por Macatuba, no mês passado, a cidade registrou três roubos. “Foram presos dois grupos, que são os autores dos três roubos”, revela.
Em janeiro, de acordo com o capitão, a PM de Macatuba registrou apenas o roubo na loja do comerciante. Ele diz que as pessoas que agem no município são de fora. “Eu acredito que a pessoa que rouba em Lençóis rouba em Macatuba”, diz.
Para coibir as ações de criminosos, o comandante conta que viaturas realizam bloqueios frequentes nas duas entradas da cidade. Na semana passada, a PM realizou reuniões com donos de postos de combustível para dar dicas sobre segurança.
“Além disso, a gente manda equipes de Pederneiras para fazer algumas operações relâmpago em Macatuba”, declara. “Nós estamos com viatura, efetivo. É questão mesmo de casos pontuais”.