10 de julho de 2026
Articulistas

Fazer o que gosta ou gostar do que faz?

Alexei Lisounenko
| Tempo de leitura: 3 min

Uma dúvida que sempre incomoda os jovens e muitas vezes tira o sono dos pais quando seu filho escolhe uma opção "menos comercial". Afinal, vale a pena investir num sonho de carreira, com menos opções de emprego, ou optar por uma carreira com um leque maior de trabalho? Pela lógica, a segunda opção é a mais certa, mas como falamos de uma opção de vida, que envolve o ser humano, e este é um ser que é muito afetado pelo seu lado emocional, temos que avaliar melhor as opções. Em primeiro lugar, qual a diferença entre fazer o que gosta e gostar do que faz?

Fazer o que gosta é trabalhar por paixão, é ter optado pelo que o seu coração escolheu. É o médico que atende a ligação às 2h e corre para atender a emergência. É o professor que apesar do baixo salário sabe que a sua profissão é a mais importante de todas e adota nossos filhos ensinando a serem cidadãos melhores. É estudar 8 horas seguidas sem se entediar. Quem faz o que gosta, navega na direção da correnteza da sua vida.

Gostar do que faz é trabalhar com algo que não seria das suas primeiras opções, é abraçar o que surgiu de melhor naquele momento. É aprender a conviver com algo que não lhe agrada para que você se sinta melhor dentro dessa realidade. Em segundo, devemos descobrir o que gostamos o mais rápido possível. Quanto antes você ingressar na carreira da sua vida, mais cedo você chegará ao seu objetivo. Isso vale para os jovens e para os profissionais. Para o profissional que descobre que a sua vocação é outra, este deve traçar um plano para fazer a transição gradativamente, e assim dar uma guinada em sua vida. Por esta razão, a escolha acertada enquanto jovem estudante é de extrema importância.

Um conselho que dou aos pais é de acompanharem seus filhos nos testes de aptidão, e não se assustarem ou os coagirem no caso de o resultado ser professor, artista etc. Procurem analisar friamente todos os prós e contras. Pesquisas em internet, com profissionais da área... Nós (adultos) não somos os donos da razão, mas devemos ser honestos e contar as nossas experiências de vida aos mais jovens para que estes possam tomar a decisão por si só. Afinal, a vida e o futuro são deles, apesar de sempre nos sentirmos responsáveis.

Enquanto cursava Direito, descobri que com qualquer profissão se podia viver bem a vida, dependia apenas de saber como ela funcionava e como poderia ser inserida no mercado de trabalho. Hoje em dia temos profissões modernas que antes eram execradas. Um exemplo, em meados do século 19 se iniciou a profissão de maestro, e quem era escolhido para exercê-la era o músico menos habilidoso. Hoje, quando se fala em maestro, todos sabem que é o músico mais importante e melhor remunerado da orquestra, com salários de dar inveja a muitos executivos de multinacionais.

Cada profissão possui as suas particularidades e dificuldades. A pessoa que não se intimida, enfrenta os problemas e mantém olhos e ouvidos bem abertos às oportunidades do mercado têm a maior possibilidade de alcançar sucesso, pois, infelizmente, nenhuma universidade ensina a vender seu trabalho. Quero aqui não frustrar ninguém, mas sim incentivar a todos a buscar o ideal, que é lutar pelos sonhos, ser perseverante, obstinado, nunca se deixar se abater. Quem desiste no meio caminho jamais terá a chance de chegar ao seu verdadeiro destino. Faça do hoje um trampolim para o amanhã e seja feliz, não importa como. A vida gosta de quem gosta dela. "É muito importante ser inteligente para adquirir o conhecimento, mas é imprescindível ter sabedoria para utilizar essa inteligência da melhor forma. E a melhor forma é para alcançar a sua felicidade".

O autor, Alexei Lisounenko, é formado pela Unesp, com curso de especialização de regência em Moscou