09 de julho de 2026
Geral

Entrevista da Semana: Alessandro Biem Cunha Carvalho

Ana Paula Pessoto
| Tempo de leitura: 7 min

Assumidamente um homem de família, o novo presidente da subseção de Bauru da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Alessandro Biem Cunha Carvalho, menciona sobre os novos desafios profissionais e conta as suas principais passagens pessoais. “Pretendo manter o que já vem dando certo e buscar melhorias”.

O primeiro desafio a ser superado, segundo Alessandro, diz respeito ao peticionamento eletrônico dos processos digitais. “Para tanto, começamos a dar plantões de assistência a partir do dia 21 para os colegas com dificuldades nessas questões”, afirma.

Em uma avaliação sobre o profissional do direito, o presidente da OAB analisa que está faltando ética e respeito, elementos essenciais para o bom convívio entre colegas e que ele acredita ser possível resgatar.

Apaixonado pela família, ela destaca a perda do pai, um grande mestre, e fala sobre a união familiar que tanto preza. “Meu atual hobby é passear com meus filhos. Acredito que a família é tudo e que tenho sorte por vir de uma bela e unida. Além disso, tenho uma esposa companheira com quem quero dividir todos os dias da minha vida”.

Acompanhe estas e outras histórias do entrevistado de hoje, a seguir.


Jornal da Cidade - Quais são as expectativas para a sua nova fase profissional?

Alessandro Biem Cunha Carvalho - Eu estou dentro da OAB há mais de 12 anos trabalhando nas comissões de forma voluntária. Comecei na comissão de esporte e lazer e passei por muitas outras. É um trabalho voluntário, mas é feito com muita satisfação porque eu venho de uma família onde meu pai era advogado, eu sou e meus irmãos, também, além da minha esposa e do meu sogro. Fui secretário adjunto na Ordem na primeira gestão do Caio Augusto dos Santos e depois fui conduzido para o cargo de vice-presidente, ou seja, de certa forma, eu já estava respirando o que é a OAB. E o que eu tenho em mente é manter o que vem dando certo, uma conquista que resultou até na expressão de votos que tivemos nesta última eleição, acredito eu. Dessa forma, o trabalho precisa continuar. O mundo é dinâmico e provavelmente minha gestão vá enfrentar algumas dificuldades que talvez não existiram lá atrás, e é por isso que a gente precisa estar sempre evoluindo e buscando melhorias para os advogados.   

JC - Quais são os desafios que você acredita que enfrentará na presidência da OAB?

Alessandro - A curto prazo, o peticionamento eletrônico dos processos digitais será um obstáculo a ser superado. As mudanças vindas com a modernidade e o processo eletrônico são grandes desafios. Inclusive, isso foi até objeto de campanha e, a partir do dia 21, começamos a dar plantão de assistência para os colegas que tenham dificuldades com a questão eletrônica, às segundas-feiras. Hoje, 10% dos advogados do Estado de São Paulo estão na máquina de escrever. E tem uma boa parte que precisa que essa troca não venha bruscamente.

JC - Então a sua vocação para o direito é herança de família?

Alessandro - Sim, mas isso é até engraçado, porque até o primeiro ano do ensino médio eu era bem voltado para as matérias exatas, que normalmente são dirigidas para a parte de engenharia... Mas tomei gosto pela profissão por trabalhar com meu pai no escritório de advocacia, onde comecei aos 12 anos de idade com meus irmãos cobrindo as férias da secretária. Entretanto, o que eu queria mesmo era jogar bola, ser jogador de futebol.

JC - E chegou a jogar profissionalmente?

Alessandro - Eu joguei no Noroeste, fiz teste no Guarani, mas não fiquei lá porque meu pai exigia que eu estudasse. E graças a Deus ele fez isso, porque aos 18 anos de idade eu sofri um acidente, precisei colocar pinos em um dos tornozelos e a minha vida no futebol parou por ali. Meu pai nunca exigiu que a gente seguisse a profissão dele, mas a gente respirava advocacia.

JC - Você cita no “perfil” que seu atual hobby é passear com os filhos.

Alessandro - Sim. Eu fico até bobo perto deles. Gosto de jogar bola com meus meninos, eles adoram futebol. Até o menor, com apenas um ano e dois meses de vida, já chuta bola. É uma graça e muito gostoso de ver. A gente faz passeios no Bauru Tênis Clube (BTC) e eu tenho um Dodge Dart Magnum, gosto muito de carros antigos. No fim de semana a gente sai para passear e eles gostam muito. Quando a gente se torna pai, a gente muda os gostos. E meu pai sempre foi muito presente, acho que herdamos isso dele. Meu filho mais velho tem 5 anos e já foi pescar comigo no Mato Grosso. Eu não sou pescador fanático, mas sempre que posso eu gosto de ir.   

JC - Família...

Alessandro - Para mim é tudo. Venho de uma família muito unida e é assim que procuro fazer com a família que formei. Eu e meus irmãos, por exemplo, procuramos almoçar ao menos uma vez por semana na casa da minha avó. Minha esposa é uma companheira maravilhosa, acompanha-me em tudo. Para um homem ser forte, ele precisa ter uma mulher forte ao seu lado e, graças a Deus, eu tenho uma grande mulher ao meu lado e quero tê-la pelo resto da vida. Acho que se os filhos contassem mais com a presença dos pais em sua formação, não veríamos tantos jovens trilhando por caminhos errados. Acho até que os adultos devem pensar muito bem antes de um divórcio, isso por causa dos filhos.

JC - Uma grande perda.

Alessandro - Meu pai teve um câncer muito agressivo. Foi muito bem tratado aqui e em São Paulo. Fizemos tudo o que estava ao nosso alcance. Todos nós sofremos muito, especialmente ele que ficou três meses trancado no quarto quando foi diagnosticado. Conversamos muito com ele e ele foi melhorando, estava até com esperanças, mas passou por uma crise e faleceu 15 dias depois. Porém, o tempo em que ele ficou com a gente foi um período de muito orgulho para todos nós. Ele foi um pai fantástico, assim como minha mãe, que é muito presente em nossas vidas. Posso dizer que eu sou um cara abençoado por Deus pela família que eu tive e tenho.

JC - Imagino que você tenha boas recordações da infância.

Alessandro - Sim. Meus pais nunca deixaram faltar nada para os filhos. Eu tive uma infância de moleque mesmo. Eu jogava bola nas ruas do Higienópolis, onde cresci, fazia papagaio, passava as tardes no Sesc, participava de campeonatos no BTC aos finais de semana...

JC - Como funciona o escritório da família, hoje?

Alessandro - Meu pai trabalhava com a parte civil e criminal. Ele era muito conhecido em Bauru como Mané Bigode, o advogado criminalista. Ele tinha um grande nome como advogado e, quando eu me formei, eu percebi que a parte civil do escritório estava um pouco deficitária, precisando de mais atenção. Minha paixão sempre foi o direito criminal, mas me dediquei a impulsionar a área civil que, em um determinado momento, teve até mais clientes que a criminal. Então, hoje eu estou à frente da parte civil do escritório, e na área criminal ficam meus irmãos, principalmente o Cristiano. Já o Maximiliano nos socorrem em ambas as áreas. 

JC - Como você avalia o advogado atual?

Alessandro - Eu acho que o advogado deve preservar o seu nome e se preocupar com os colegas, ter respeito por eles... Você não pode brigar com o colega por causa do trabalho. A briga é jurídica. E tudo isso a gente procura trazer para o âmbito da advocacia. Hoje eu estou presidente da OAB e tenho que trazer toda essa minha base familiar e essa minha vontade de ver o respeito e a união entre os advogados para o nosso trabalho. Acho que o respeito deve voltar a ser como era antigamente. Esta faltando ética na profissão, e eu acho que é possível resgatar isso.