08 de julho de 2026
Internacional

Protesto no Egito mata ao menos 22


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Cairo - Ao menos 22 pessoas morreram ontem no Egito, durante protestos à decisão da Justiça de condenar à morte 21 acusados do massacre em jogo de futebol em Port Said, que deixou 74 mortos em fevereiro de 2012.

O massacre em Port Said, que aconteceu durante um jogo entre as equipes Al Ahly e Al Masry, foi o maior em um estádio de futebol da história do Egito.

A tragédia engrossou os protestos violentos contra a junta militar que na época governava o país, após a queda do ditador Hosni Mubarak, em 2011.

Invasão

Os confrontos aconteceram depois que familiares e amigos dos suspeitos do massacre tentarem invadir a prisão onde estavam os acusados. Houve uma reação violenta à repressão policial e pelo menos dois agentes e 20 manifestantes morreram nos enfrentamentos.

Segundo a rede de TV estatal, outras 50 pessoas ficaram feridas na ação.

O Exército foi chamado para tentar conter a violência na região do tribunal e evitar que os protestos tomem maiores proporções em Port Said.

Apesar do aparato militara, ao menos dois postos policiais foram tomados por manifestantes na cidade.

Recurso

Os acusados podem recorrer da decisão de condenação, que será enviada ao mufti (líder islâmico supremo) egípcio, que tem o poder para rejeitar ou respaldara decisão judicial.

Outros 52 acusados ainda serão julgados em 9 de março, incluindo três agentes de segurança suspeitos de envolvimento no massacre.

A sentença foi lida em clima tenso, pois torcedores do Al Ahly ameaçaram mais atos violentos se os suspeitos não fossem condenados à morte.

Eles também disseram que instalarão “o caos” se a pena não for cumprida.

O juiz pediu calma diversas vezes durante a leitura do veredicto e em outros momentos do julgamento.

Após a divulgação da decisão, as famílias dos mortos comemoraram. Um homem desmaiou e outros manifestantes choraram enquanto carregavam fotos de mortos na tragédia no estádio.

Tragédia

O massacre aconteceu em 1 de fevereiro de 2012, após uma partida em Port Said entre o Al Ahly, do Cairo, e o Al Masry, da cidade. Na ocasião, o time cairota perdia para o local por 3 a 1, quando centenas de torcedores do Al Masry invadiram o campo e lançaram pedras e garrafas contra torcedores do Al Ahly.

Agentes de segurança tentaram conter a violência, mas não conseguiram controlar os ânimos no estádio. Pelo menos 74 pessoas morreram e centenas ficaram feridas. Nos dias seguintes à tragédia, mais 16 pessoas morreram em protestos no Cairo e em Suez.

Grupos de torcidas organizadas de ambos os times acusaram aliados do ditador Hosni Mubarak de estarem infiltrados entre os torcedores para poder provocar o confronto. A maioria dos grupos é de aliados políticos das forças que coordenaram a revolta que derrubou o ex-mandatário em 2011.

A tragédia abalou os dois times e suas torcidas. O time do Al Ahly joga desde fevereiro com uma faixa preta amarrada na camisa em sinal de luto. O símbolo foi usado inclusive no jogo contra o Corinthians pelo Mundial de Clubes, em dezembro.