Uma tarja preta no braço revelava o luto do técnico de Bauru, Jorge Guerra, ontem, na partida contra o Brasília. Pouco antes de entrar em quadra para comandar o time, Guerrinha teve a notícia do falecimento de seu técnico, Ary Vidal.
Aos 77 anos, o ex-treinador faleceu em sua residência, no Rio de Janeiro, mas as causas da morte não foram divulgadas. Há pouco mais de três meses, Ary havia sido internado em estado gravíssimo em um hospital do Rio por conta de um enfarte e um acidente vascular. Desde então, estava com a saúde fragilizada.
As carreiras de Guerrinha e Vidal se cruzam em um dos momentos mais marcantes do esporte brasileiro.
Ary Vidal comandou a Seleção Brasileira na conquista da medalha de ouro dos Jogos Pan-Americanos de Indianápolis, nos Estados Unidos, em 1987, dirigindo um time brilhante que tinha, entre outros, os craques Oscar, Marcel e o próprio Guerrinha. A conquista é uma das principais da história do esporte brasileiro por ter sido a primeira derrota de uma seleção norte-americana, ainda que desfalcada de grandes nomes, em seu próprio país.
Guerrinha ficou sabendo da morte de Ary no momento em que a delegação bauruense fazia um lanche ontem, em Brasília, antes da partida.
Para o treinador bauruense, o técnico Ary Vidal era extremamente inteligente e sabia como poucos trabalhar o jogador fora de quadra. “Ele não era treinador mas um ótimo técnico de banco”, define Guerrinha.
Como poucos, Ary harmonizava a relação entre astros como Oscar, Marcel, Pipoca entre outros. “Ele sabia lidar com a vaidade, principalmente ali na Seleção Brasileira”, frisa.
O armador Guerrinha relembra que foi convocado pela primeira vez em 1982, para o Mundial da Colômbia e o Pan-Americano de Caracas. Ary retornou para o comando da Seleção em 1985, para a disputa de Sul-Americano, na Colômbia. Essa foi a primeira competição da dobradinha Ary- Guerrinha, seguindo juntos até 1988, nas Olimpíadas de Seul. Guerrinha cita ainda que foi convocado para o Sul-Americano de 1995, no Uruguai, em sua última participação com a camisa do Brasil.
“Ele me chamou como capitão para eu levar a minha experiência para os mais jovens e era um grupo novo com Vanderlei, Demétrius e Rogério”, lembra.
‘Receita’ do ouro
Na vitória espetacular sobre os norte-americanos no Pan de Indianápolis, o time brasileiro foi para os vestiários perdendo por diferença de 14 pontos. De acordo com Guerrinha, Ary não falava muito em suas preleções. “Joguem”, foi a orientação do treinador.
Bastou para o time voltar à quadra e vencer de forma impecável os Estados Unidos. Para marcar os 25 anos dessa conquista, em agosto do ano passado, Ary e os jogadores foram reunidos para uma homenagem da Confederação Brasileira de Basketball (CBB).
O enterro de Ary Vidal será realizado hoje, em local e horário ainda não confirmados pela família.