Embora o extintor de incêndio seja presença constante em condomínios, hospitais, locais de trabalho e de entretenimento, a maioria das pessoas possui apenas uma vaga ideia de como utilizá-lo em uma situação de emergência. Na madrugada do último domingo, um extintor chegou a ser acionado na boate Kiss, em Santa Maria (RS), mas acabou não funcionando e o incêndio se alastrou rapidamente, provocando a morte de 231 pessoas (leia mais nas páginas 17 e 18).
Não é possível saber se houve falha no manuseio por pânico e falta de treinamento ou se o equipamento estava fora do prazo de validade e, portanto, despressurizado. Mas, conforme garante o tenente do Corpo de Bombeiros, Mário Augusto Damiati, uma ação rápida no início do incêndio seria capaz de prevenir grandes tragédias.
“O uso é muito simples. Basta retirar a trava de gatilho (pino de metal), rompendo o lacre, e direcionar a mangueira na base do fogo, pressionando o gatilho a uma distância segura. Não requer nenhuma habilidade, basta um pouco de conhecimento”, frisa.
Damiati ressalta que há diversos tipos de extintores e cada um tem uma função específica. O uso do equipamento errado pode, por exemplo, implicar no aumento das chamas, curtos-circuitos e choques elétricos.
“Para incêndio em materiais combustíveis sólidos, o ideal é usar água. Em líquido inflamável ou equipamentos elétricos, utiliza-se pó químico seco ou gás carbônico. Cada extintor é voltado para determinado tipo de risco e devem estar disponíveis em todos os prédios regularizados”, orienta.
Manutenção
Além de disponibilizar extintores para os diversos tipos de incêndio, prédios residenciais e estabelecimentos comerciais devem estar atentos à manutenção periódica do dispositivo. De acordo com Damiati, o teste hidrostático, que afere a integridade do cilindro a fim de prevenir rachaduras ou explosões, deve ser realizado a cada cinco anos.
Já a recarga deve ser feita anualmente. “Caso contrário, pode haver perda de pressão e o agente extintor não será expelido quando o equipamento for acionado”, alerta.
Os dispositivos também devem ser instalados em locais de fácil acesso e longe do recinto principal, tais como patamares das escadas, por exemplo, que são pontos estratégicos. Outra recomendação é que as instituições, empresas e condomínios treinem seus funcionários sobre como agir em emergências e até mesmo instituam uma brigada de incêndio. “Este treinamento básico é fundamental para que as pessoas saibam como agir em princípios de incêndio, que poderiam tomar maiores proporções até a chegada do Corpo de Bombeiros”, frisa. Ele destaca, no entanto, que, quando as chamas já se alastraram, o ideal é se afastar do local e aguardar a chegada da equipe especializada.
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