08 de julho de 2026
Nacional

SP: MST invade sedes do Incra para protestar

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Cerca de 150 integrantes do MST (Movimento dos Trabalhadores Sem Terra) invadiram nesta segunda-feira (28) as sedes do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) em Teodoro Sampaio e Mirante do Paranapanema, cidades que ficam na região do Pontal do Paranapanema (SP). Novos atos devem acontecer durante a semana.


As invasões fazem parte de protestos organizados pelo MST de São Paulo em favor do assentamento Milton Santos.


O movimento também bloqueou por cerca de 30 minutos a rodovia Anhanguera, na região de Ribeirão Preto (SP). De acordo com o MST, foi fechada ainda, por duas horas, a rodovia Sebastião Ferraz de Camargo Penteado, na região de Apiaí (SP).


Os agricultores do Milton Santos afirmam que foram notificados a saírem do assentamento onde vivem até o dia 30 deste mês. A área, que fica entre Americana e Cosmópolis (interior de SP), é alvo de disputa judicial. Cerca de 70 famílias vivem no local.


Instituto Lula


Na semana passada, a questão do assentamento ganhou destaque após eles terem invadido a sede do Instituto Lula, em São Paulo, onde o ex-presidente Lula costuma despachar.


Com a invasão, o grupo queria que Lula intercedesse por eles junto à presidente Dilma Rousseff para que assine um decreto de desapropriação por interesse social, o que encerraria, em tese, as disputas pela propriedade.


Os agricultores ficaram no local por 32 horas. A invasão ao instituto não recebeu apoio do MST.


Eles também invadiram por 10 dias a sede do Incra, em São Paulo. A desocupação ocorreu após reunião com o presidente do Incra, Carlos Guedes. O Incra diz que defende a permanência dos agricultores no local.


Caso


A área do assentamento era de propriedade do grupo Abdalla, mas na década de 70 foi tomada para o pagamento de dívidas com a União.


A fazenda está registrada em nome do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) que, em 2005, cedeu a terra ao Incra para o assentamento.


Uma ação da Justiça reconheceu um excesso na cobrança da União sobre o grupo e determinou devolução de bens confiscados acima do devido, incluindo a área do assentamento.


Os assentados temem que ocorram "um novo Pinheirinho". Em janeiro do ano passado, a reintegração de posse de um terreno, chamado de Pinheirinho, em São José dos Campos (SP), foi marcado por confrontos com a polícia.