Cairo - No primeiro dia de relativa tranquilidade no Egito desde sexta - quando tiveram início os conflitos que deixaram pelo menos 52 mortos no país -, o chefe das Forças Armadas egípcias, general Abdel Fattah al Sisi, afirmou que a turbulência política já ameaça à integridade do Estado. “A continuação da luta das diferentes forças políticas (...) poderá levar ao colapso do Estado”, declarou Sisi em um comunicado na página oficial do Exército no Facebook.
Também ministro da Defesa do presidente islamita Mohamed Mursi, o general prometeu que as Forças Armadas vão continuar a ser o bloco “sólido e coeso” sobre o qual o Estado se assenta.
A nota gerou temores de que o Exército - a mais forte das instituições egípcias, com participação decisiva na segurança e na economia e subsídio direto dos EUA - esteja planejando retomar o poder que manteve por seis décadas, inclusive depois da queda do ditador Hosni Mubarak.
Para analistas, porém, a intenção de Sisi é apenas deixar claros a preocupação das Forças Armadas com a violência e o seu apoio a Mursi.
ONU pede moderação
A alta comissária das Nações Unidas para os direitos humanos, Navi Pillay, pediu ontem que o governo de Mohamed Mursi tome medidas urgentes para garantir que as forças do governo não usem força desproporcional ou excessiva contra os protestantes.
Segundo ela, tais medidas são ilegais e podem tornar a situação ainda mais complicada. Pillay mostrou preocupação sobre o aumento da violência e o crescente número de mortos.