09 de julho de 2026
Articulistas

Inflação: atacando as consequências

Reinaldo Cafeo
| Tempo de leitura: 2 min

O governo da Presidente Dilma Rousseff optou, na minha visão, corretamente, por eliminar a dependência da política monetária no controle da inflação brasileira. Esta estratégia teria a vertente de, por exemplo, reduzir a taxa de juros básica da economia, ou seja, a taxa Selic, o que ocorreu, e outra vertente seria o uso da política fiscal. No caso da política fiscal seria necessária austeridade no controle dos gastos, com rigidez na arrecadação, ampliando o superávit fiscal, abrindo espaço para ampliação dos investimentos.

Isso não ocorreu. Em parte devido à crise internacional que forçou o governo brasileiro a subsidiar tributariamente alguns setores e ao mesmo tempo injetar recursos na economia ampliando a liquidez do sistema. O resultado é que combinamos baixo crescimento econômico com inflação em alta. As projeções para o índice de inflação estão mais próximas do limite máximo de 6,5% ao ano do que para o centro da meta que é de 4,5% ao ano.

Isso está forçando o governo a atacar as consequências da inflação. Há um monitoramento dos mercados. Um acordo em algumas capitais do país para adiar reajuste de tarifas de ônibus, uma entrada mais firme do Banco Central no câmbio derrubando a cotação evitando a chamada inflação importada, também ampliando a oferta de produtos importados para impor novo referencial de preços ao mercado interno, redução do custo de energia para neutralizar o aumento dos combustíveis, e nada muito além disso.

Observem que são decisões de curto prazo, que vão mais na vertente de evitar a elevação do índice de inflação no período do que criar condições duradouras de controle de inflação. Evidentemente que não há perigo maior que levasse a entender que a indexação poderia voltar, que a inflação iria para dois dígitos ao mês, mas é muito pouco para quem precisa criar condições de a economia crescer de maneira sustentada.

Aceitemos as ações de curto prazo, mas exijamos mais do governo Federal, o qual precisa passar a sociedade como um todo qual é efetivamente a estratégia de longo do prazo do governo atual. O que mais alimenta o mercado é política econômica frágil, abrindo margem a todo tipo de especulação e isso precisa ser neutralizado pelo governo. Tem a frase emblemática no campo da gestão: quem não sabe para onde ir, qualquer lugar é bom. No caso da inflação é inadmissível não saber para onde ir, e se conformar com qualquer lugar.

O autor, Reinaldo Cafeo, é economista, diretor do Corecon e presidente da Acib