08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Tragédia no sul


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Consternado que estou pela dimensão do dramático e triste acontecimento em Santa Maria (RS), que provocou grande comoção nacional com repercussão internacional, vou elencar os (ir)responsáveis por esta tragédia anunciada. Primeiro, os donos da boate, pela negligência e desapego à restrita observância das normas de segurança, como na compra de materiais de forração altamente comburentes (e tóxicos); pela venda indiscriminada de ingressos, superlotando a boate, demonstrando desmedida ambição; e, ainda, por estarem transgredindo a lei com os alvarás de funcionamento vencidos, não estando, portanto, autorizados para exercer qualquer atividade no local.

Segundo, o Corpo de Bombeiros, por aprovar o mesmo local para permitir eventos dessa natureza (e lotação) com a existência de uma mesma porta para a entrada e saída; e por não inspecionar e fiscalizar os extintores e o material do forro instalado recentemente, não restringindo um local de extrema periculosidade, liberando uma ardilosa armadilha para todos os que lá foram para se divertir e acabaram sendo atores da sinistra e funesta madrugada de domingo.

Terceiro, a prefeitura da cidade, por omitir e negligenciar de forma sistemática, ao descuidar de tratamento rigoroso nos deveres essenciais à proteção dos cidadãos, para, a tempo, impedir evento de tamanha grandiosidade em local irregular e extremamente contrário às regras e às leis. Quarto, os componentes da banda, por usarem um sinalizador para lugares abertos em ambiente fechado (e lotado) e muito provavelmente sabedores de ocorrências recentes idênticas causadas por igual pirotecnia em outras boates. E quinto, o prefeito da cidade, por ter como subordinados na fiscalização pessoas despreparadas e não qualificadas para estarem em cargo de enorme responsabilidade.

Se houve corrupção ativa e passiva, é responsabilidade do Ministério Público e das autoridades policiais investigarem e punirem com rigor todos os envolvidos. Em suma, a tragédia não foi uma fatalidade, imprevisível e marcada pelo destino, e sim uma omissão criminosa de todos os agentes acima expostos, só faltando dar nomes, sobrenomes e apelidos.

José Eduardo Victor, Jaú